O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 14/09/2022

O escritor e jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade, hodiernamente, como o uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.

Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz do emprego consciente de agroquímico no Brasil. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que o Brasil é o maior consumidor desse tipo de substância, amparado pela Lei dos Agrotóxicos de 1989 e com apoio de entidades ruralistas. Portanto, indivíduos padecem, de acordo com a UNICAMP, com a terceira maior causa de intoxicação estarem relacionadas diretamente com o manejo desses produtos e têm as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.

Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução da aplicação responsável de biocidas pelo agronegócio mundial. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante a justificativa de que esses compostos combatem pragas e doenças na agropecuária. Porém, não há fiscalização ou orientação para sua manipulação. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se a comunidade. Logo, a insensatez cidadã afeta a natureza e a saúde da população.

Destarte, o Ministério do Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas devem criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de filmes informativos sobre a utilização de agrotóxicos no Brasil e no mundo. Afinal, essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar as conclusões defendidas em “Modernidade Líquida”.