O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 28/09/2023
O documentário “O Veneno Está na Mesa”, de Silvio Tendler, mostra em sua narrativa como o uso indiscriminado de pesticidas nas lavouras prejudica os recursos naturais e traz danos à saúde pública. De maneira análoga ao Brasil,
o uso de agrotóxicos é recorrente. Isso se deve, sobretudo, à expansão do agronegócio e a falhas governamentais.
Em primeiro lugar, é importante destacar o aumento da produtividade agrícola, associado ao agronegócio de exportação, como fator que contribui os impactos socioambientais existentes. Alarmantemente, a existência dessa conjuntura está ligada à globalização da economia mundial, em que devido à grande demanda na produção de alimentos, tem-se intensificado o uso de agroquímicos. Conforme a “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”, rede que reúne diversas organizações da sociedade civil, 20% dos agrotóxicos que consumimos são altamente tóxicos. Nesse sentido, afeta os produtores e os consumidores. Por conseguinte, a qualidade de vida é negligenciada.
Outrossim, é válido salientar o descaso estatal, como agente que corrobora a prática não agroecológica. Neste contexto, fica evidente a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas, tais como regulamentações mais rigorosas e incentivo a práticas agrícolas sustentáveis, para combater o uso de agrotóxicos no país. Consoante o Ministério da Saúde, entre 2007 e 2017 cerca de 111 mil pessoas foram expostas ou intoxicadas por agrotóxicos no país. Segundo as ideias do filósofo John Locke, essa circunstância configura-se como uma ruptura do “contrato social”, visto que o Estado, ciente dos riscos que o uso de agrotóxicos trazem à saúde, não proíbe o seu uso.
Portanto, é preciso aplacar esse impasse. Logo, urge que o Ministério da Agricultura, como responsável pelo bem-estar agrário, por meio de um projeto de lei, proiba o uso de princípios ativos que apresentam risco à saúde dos cidadãos,
a fim de que a questão dos defensivos agrícolas seja resolvida. Ademais, promova campanhas que exponham à sociedade a importância da agroecologia. A partir dessas ações, poderá ser consolidado um Brasil menos danoso e mais sustentável.