O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 11/11/2020

As Revoluções Industriais, que iniciaram no século XVIII, possibilitaram o avanço da tecnologia que, por sua vez, permitiu o progresso da sociedade. No entanto, vê-se que tal evolução não atingiu, em sua totalidade, o âmbito científico, visto que há o uso de animais como cobaias em pesquisas que, atualmente, podem dispor de outros métodos de averiguação que não geram o sofrimento animal. Diante disso, o antropocentrismo e a negligência empresarial contribuem para a perpetuação desse cenário truculento. Logo, faz-se necessárias intervenções educativas e governamentais.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a noção deturpada de superioridade humana reforça essa conjuntura nociva. Nesse sentido, com base no conceito de “especismo”, o filósofo Peter Singer afirma que grande parte das pessoas banalizam a exploração animal por acreditarem ser superiores às demais espécies. Tendo isso em vista, nota-se que essa crença errônea faz com que os bichos sejam submetidos a testes laboratoriais, com o fito de comprovar a eficácia e a segurança de determinado produto ou procedimento para o posterior uso pelos indivíduos. Desse modo, os animais sofrem uma série de maus-tratos que reduzem a sua expectativa e qualidade de vida, uma vez que eles são tratados como objetos passíveis de qualquer manipulação.

Ademais, vale destacar a indiferença das empresas frente a essa questão. Sob essa ótica, segundo o filósofo Jürgen Habermas, a ética deve nortear a construção da sociedade. Entretanto, observa-se que isso não se aplica na contemporaneidade, haja vista que parte das indústrias, como as de cosméticos, dispõem de bichos para realizar a experimentação de seus produtos, mesmo existindo maneiras eficazes que não envolvam o sofrimento desses seres. Dessa forma, essa falta princípios éticos fere e pode causar a morte desses animais indefesos, o que demanda uma interferência urgente do Poder Público.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de estimular a empatia nos brasileiros, cabe às escolas exporem, por meio de palestras e recursos audiovisuais, a realidade cruel dos experimentos científicos realizados com a utilização de bichos. Tal ação contará com a participação de ONGs que atuam no resgate desses animais, para que os estudantes se sensibilizem e adquiram uma postura ativa no corpo social no que diz respeito a essa temática. Além disso, com a finalidade de extinguir a prática de usar seres vivos como cobaias, o Poder Executivo deve, mediante a criação de uma lei e a destinação de verbas, proibir o emprego de animais em testes cosméticos e financiar pesquisas para a implantação de averiguações alternativas em todas as áreas. Essa última providência possuirá o apoio financeiro de empresas que receberão incentivos fiscais. Assim, o Brasil estará usufruindo da tecnologia propiciada pelas Revoluções Industriais em prol de todos.