O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 25/10/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o uso de animais em pesquisas e testes científicos contradiz os atuais avanços tecnológicos. Assim, seja pela saúde dos animais, seja pela pequena eficácia, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro plano, vale ressaltar que um dos principais males é o grande número de óbito de animais em laboratório, que chega a 33 por segundo no mundo. Isso ocorre, pois além de alguns ambientes serem insalubres, eles são expostos a doenças graves e falhas, há pelo menos 50 drogas no mercado que causam câncer nesses animais e 9% dos animais anestesiados, que deveriam recobrar consciência, morrem. Sendo assim, é necessário que ações sejam tomadas para reverter esse quadro.

Em segunda análise, deve-se pontuar a ineficácia de alguns resultados obtidos por experiências em animais. Como podemos analisar, esses testes e os resultados nos humanos, eles concordam somente em 5 a 25% das vezes e 95% das drogas homologadas nos animais são imediatamente descartadas como desnecessárias ou perigosas ao humanos.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Cabendo ao Concea, órgão integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia e responsável por validar e regulamentar experimentos com animais no País, analisar a atual situação e seus respectivos resultados, estimulando a procura de novos meios para realização desses experimentos, que não sejam em animais. E assim, começar a impedir essa prática. Só assim, o país torna-se-á mais sadio.