O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 02/11/2020
A utilização de animais em pesquisas e estudos científicos é, em geral, imprescindível para o desenvolvimento de certos saberes no campo da saúde e da biologia. Não se trata de um aspecto arbitrário ou de fácil substituição na cadeia de produção da ciência; ao contrário, deve ser entendido como um “mal necessário” para a sua existência. Por esse motivo, é importante fazer esclarecimentos acerca de dois pontos fundamentais que tangenciam essa polêmica temática: o primeiro, o quão importante são os experimentos com animais para a sociedade e, o segundo, a razão pela qual eles não devem ser utilizados na elaboração de produtos cosméticos.
Primeiramente, é importantíssimo compreender o valor histórico desse tipo de estudo para o desenvolvimento de remédios, vacinas e tratamentos clínicos. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, a personagem Marcela encerra sua participação no enredo acometida por emblemáticas “bexigas” em seu rosto, sintoma clássico da varíola, uma doença perigosa que assombrou a época de Machado de Assis, autor do livro. No entanto, essa mesma enfermidade, eternizada no romance, foi, em 1980, inteiramente erradicada do planeta devido à ação da primeira vacina de vírus atenuado produzida, o que foi possível somente devido aos testes previamente realizados em animais. Assim, ilustra-se bem como esses experimentos, os quais não podem ser realizados de outra forma senão em organismos vivos, são fundamentais para o bem-estar e a saúde da humanidade.
Todavia, por outro lado, fazer uso dos animais como cobaias para a fabricação de produtos cosméticos é o mesmo que se apropriar do sofrimento de um ser vivo para gerar lucro. Em suma, há uma nítida distinção entre uma atividade absolutamente necessária, os testes científicos, e uma prática facultativa, a elaboração de um novo produto para o mercado. Em outras palavras, a sociedade pode sobreviver sem um novo xampu ou creme, mas não sem os antibióticos e antivirais. Portanto, convém ao consumidor ser informado sobre quais cosméticos realizaram ou não testes em animais, pois, assim, ele poderá escolher, segundo seus princípios, se deve consumir ou não esse tipo de produto.
Logo, é, sobretudo, fundamental informar a população acerca do papel dos experimentos em animais para a ciência. Sendo assim, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM), por meio dos recursos da União, viabilizar a produção de campanhas e vídeos publicitários de conscientização sobre a temática, esclarecendo, então, aspectos como o motivo pelo qual os animais são necessários em laboratório e a existência da Lei N° 11.794 que autoriza esse tipo de atividade para pesquisas científicas. Com isso, certamente haverá maior consciência sobre a importância das pesquisas realizadas com animais no Brasil.