O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 26/10/2020
A importância do uso de animais no desenvolvimento da ciência começou a ser considerada desde o período da Grécia Antiga e, por consequência, trouxe diversos avanços no desenvolvimento de novos modelos científicos, tratamento de doenças, diagnóstico de pacientes, dentre outros avanços que contribuíram muito para a medicina contemporânea. Porém, ao passar dos séculos, o desenvolvimento da moralidade e da ética se aprofundaram, levando a população a se questionar se o uso de animais em projetos científicos era realmente necessário e correto, e o que poderia ser feito para evitar ou até mesmo por um fim nesso uso de cobaias vivas na ciência.
Primeiramente, deve-se considerar o fato de que atualmente já existem tecnologias e outros métodos alternativos capazes de recriar ou simular as estruturas e órgãos presentes em um corpo de um animal. Segundo o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), 24 métodos alternativos de substituição de cobaias, incluindo o uso de células em cultura para testes de toxicidade, potencial corrosivo e outras propriedades de substâncias candidatas a fármacos ou cosméticos, já foram aprovados. Essa aprovação contribui diretamente para a inserção de novos métodos e materiais no mercado com o principal objetivo de acabar com a utilização de animais em laboratórios científicos.
Em segundo plano, além da utilização de estruturas como células em cultura, atualmente, vários laboratórios vêm adotando métodos como: impressões 3D da pele humana, bonecos especiais com tamanho e estruturas proporcionais ao corpo humano, tecidos doados após procedimentos de cirurgias plásticas e o uso de softwares em computadores. Em adição às tecnologias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) concluíram que testes em animais não eram mais obrigatórios ou necessários na produção de cosméticos, ação que auxilia diretamente na preservação da vida de animais que seriam possivelmente utilizados em experiências científicas.
Com base em todos os fatos apurados e, com o objetivo de diminuir o uso de animais no âmbito científico, cabe ao Governo Federal a criação de leis mais severas e eficazes contra os abusos e usos indevidos desses animais em ambientes não apropriados ou práticas cruéis de tortura animal, por exemplo. Além disso, cabe também a Anvisa e a Concea o maior investimento no desenvolvimento de novas técnologias capazes de recriar, da forma mais precisa possível, as estruturas do corpo humano, o sistema imunológico, e as possíveis reações à estímulos que o mesmo teria quando submetido a testes científicos. Através da incorporação dessas ideias de solução, a garantia da dimunuição do uso de cobaias animais no ambiente da ciência seria, finalmente, uma possível realidade.