O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 11/04/2021

No Brasil, a maioria das pesquisas e testes científicos são realizados em institutos públicos de pesquisa e em programas de pós-graduação de universidades federais, com sua principal fonte de financiamento sendo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), porém, também sabe-se que tal investimento financeiro governamental destinado à pesquisa científica é muito inferior ao de outros países, como Coréia do Sul, Japão e Alemanha. Diante de tal situação, advogar pela total abolição do uso de animais em laboratórios pode implicar na limitação de recursos já escassos, bloqueando caminhos para o avanço científico no país.

Embora os estudos que buscam maneiras de testar medicamentos sem a necessidade do uso de animais estejam avançando, como, por exemplo, no desenvolvimento de técnicas de cultura celular e modelos de computador, ainda não foram encontradas formas de simular o funcionamento de sistemas como o circulatório, nervoso e imunológico. Portanto, é um consenso na comunidade científica que os meios encontrados até o momento não são capazes de reproduzirem fielmente os resultados obtidos por meio de testes em organismos mais complexos, demonstrando que tais métodos alternativos não são seguros para produções da indústria farmacêutica, que eventualmente são testadas em humanos.

Mesmo que haja tal concordância entre membros da comunidade científica, muitos ativistas e grupos defensores dos direitos dos animais ainda questionam a real inevitabilidade dos testes em organismos vivos, alegando que, na realidade, pesquisadores apenas não usam métodos alternativos de testagem por conta do ganho financeiro proveniente dos testes tradicionais. Contudo, tal questionamento é provado falso, uma vez que o custo financeiro dos experimentos que utilizam cobais é muiro mais elevado do que o custo de métodos alternativos.

Em suma, pode-se ver que ainda não é possível dispensar o uso de animais em pesquisas e testes, porém, mudar tal realidade seria benéfico não apenas para defensores dos direitos animais, mas também para pesquisadores, que teriam os custos de suas pesquisas reduzidos. Logo, maiores investimentos financeiros por parte do CNPq e também por parte da iniciativa privada em tal área de pesquisa são maneiras essenciais de alcançar o fim da necessidade de cobaias laboratoriais no futuro, sem que haja prejuízos para o desenvolvimento de medicamentos. Também é necessário citar que, como forma de abrandar as discussões acerca de tal assunto, é imprescindível que, entre as práticas onde o uso de cobais não é permitido por lei, seja acrescentada a indústria de cosméticos, uma vez que ela não é de absoluta necessidade para a saúde humana, e seu avanço é perfeitamente possível sem o uso de animais para testagem.