O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 11/04/2021
No contexto da Guerra Fria, no século XX, durante a corrida espacial, a URSS adicionou, pela primeira vez na história, um ser vivo para o espaço. Em virtude do superaquecimento da aeronave, a cadela Laika morreu de forma drástica poucos dias após sua decolagem. Embora a data de anos atrás, a questão do uso de animais em experimentos, em pleno século XXI, obrigue as conotações ao episódio anterior: um avanço antiético. No entanto, o individualismo e a visão antropocêntrica dificultam o modificação desse cenário.
Em primeira instância, o anseio pelo progresso a qualquer custo impacto uma diminuição reduzida nas relações humanas. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, uma sociedade contemporânea é pautada pela fluidez e pelo individualismo. Nessa perspectiva, o homem, ambicioso pelo desenvolvimento econômico e científico, mostra-se capaz de violar qualquer campo moral estudado pela bioética, como é o caso do uso de animais em experimentos que beneficiam somente a espécie humana. Ainda que esse modelo de pesquisa seja importante, pois oferece o avanço da medicina e, consequentemente, melhora a qualidade de vida da população, é necessário que se faça o seguinte questionamento: até que ponto causar um holocausto animal é a melhor opção?
Em segunda instância, o campo da biologia que estuda a evolução nos mostra que todos os seres vivos evoluíram de um ancestral comum, não havendo, desse modo, espécies superiores ou mais evoluídas que as demais. Seguindo essa linha de pensamento, percebe-se que a visão antropocêntrica na qual o ser humano é visto como o centro do universo, muito difundida durante a idade média, é extremamente ultrapassada e irrealista. Destarte, não é razoável que o homem continue provocando maus tratos em outras espécies animais em prol do desenvolvimentismo, tornando-se necessária a busca por alternativas menos danosas.