O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 11/04/2021

Dentre os motivos que possibilitaram o avanço da medicina, destaca-se a utilização de animais em  testes experimentais. Na Grécia Antiga, muitos mamíferos eram usados para compreender a fisiologia e a anatomia do corpo humano, tendo em vista que o funcionamento de ambos é muito similar. Atualmente, percebe-se o recorrente uso de ratos e camundongos em milhares de experimentos laboratoriais e da indústria farmacêutica, ocasionando a dor desnecessária de inúmeras espécies. Diante disso, evidencia-se que pesquisas feitas em animais no Brasil devem ser reduzidas já que envolvem práticas cruéis e causam o sofrimento de incontáveis espécimes.

Nessa perspectiva, é visível que desde a antiguidade, a ciência evoluiu exponencialmente e muitas técnicas se aperfeiçoaram em diversas áreas. Desta forma, é compreensível que o teste em animais também seria substituído por práticas inovadoras. Entretanto, essa forma conservadora ainda persiste e segundo a organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) a cada ano, mais de 100 milhões de animais, dentre os mais diversos, são sacrificados em laboratórios para o uso em aulas, pesquisas e experiências. Ainda, a PETA afirma que testes alternativos como a bioimpressão de pele humana em laboratório e a testagem nessa, são mais eficazes e baratos para os pesquisadores.

Foi comprovado por inúmeras revistas científicas, como a BMC Veterinary Research, que os animais incluindo alguns invertebrados sentem dor, e em uma escala evolutiva, os mamíferos que são utilizados em quase todos os experimentos possuem tantos receptores de dor quanto os seres humanos. Além disso, tem-se certa inflexibilidade da ciência tradicional na insistência da testagem nos animais, visto que existem inúmeras soluções para supri-la. Ademais, em 2017, a pesquisadora brasileira Carolina Catarino da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu um modelo de pele humana para testagem laboratorial, a partir de uma reconstrução “in vitro”, visando a substituição de testes em seres vivos.

Diante disso, é evidente que a testagem em animais será muito debatida pela sociedade contemporânea e que ela ainda é essencial para a produção de vacinas, entretanto, nas outras áreas da medicina já existem alternativas viáveis. Portanto, cabe ao Governo brasileiro investir intensamente em pesquisas e possibilidades que poupem o sofrimento dos animais; aos legisladores que criem leis mais rigorosas quanto a testagem em seres vivos; às autoridades que fiscalizem devidamente os laboratórios e indústrias farmacêuticas; à sociedade manter-se atualizada e consciente das informações e mudanças efetuadas; e à ciência inovar-se e criar outros métodos que evitem o sofrimento dos animais.