O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 11/04/2021
O campo filosófico da bioética busca analisar como a ética se aplica na ciência. Dessa forma, a partir dos questionamentos dessa área, a discussão sobre o uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil se intensificou nos últimos anos. Atualmente, sabe-se que esses seres vivos são fundamentais para o avanço experimental, visto que contribuíram para a formação de saberes anteriores e também auxiliam no atual progresso da humanidade.
Primeiramente, é importante ressaltar que a evolução do conhecimento só ocorre se pesquisas prévias forem levadas em consideração, e os animais têm um importante papel na elaboração delas. O neodarwinismo, por exemplo, se baseou em experimentos feitos em ratos para refutar a hipótese de Lamarck, o qual afirmava que, por meio da adaptação ao meio, as características desenvolvidas pelos seres eram transmitidas aos seus descendentes. Desse modo, uma nova forma de análise se configurou como a melhor opção para explicar as mudanças nas espécies ao longo dos anos, tendo como um de seus fundamentos o testes feitos nesses orgnismos vivos.
Além disso, nos dias atuais, essas formas de vida também são imprescindíveis para o progresso da humanidade, pois viabilizam a utilização de diversos medicamentos e técnicas científicas em seres humanos de forma segura. Ao decorrer do ano de 2020, a preocupação acerca dos efeitos colaterais causados pelas vacinas em desenvolvimento contra a COVID-19 era grande entre a comunidade global. No entanto, esses só puderam ser previstos a partir da aplicação dos imunizantes em cobaias nos laboratórios, e, após esse processo, a população passou a ser testada com a devida proteção.
Portanto, a experimentação em animais é de extrema importância para o progresso científico, porém algumas medidas ainda precisam ser tomadas para otimizar esse processo. Os laboratórios que usam seres vivos em seus experimentos devem mostrar, por meio da gravação de vídeos e da emissão de relatórios frequentes aos órgãos competentes do Estado, como as pesquisas são feitas, a fim de atingir uma maior tranparência nesse trabalho. Ademais, cabe à Anvisa (em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia) realizar uma fiscalização mais efetiva, com visitas regulares às empresas em questão, para verificar as condições das espécies testadas e combater possíveis maus tratos, preservando os direitos delas. Assim, o uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil será muito mais eficiente.