O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 11/04/2021
Um dos capítulos mais marcantes de “Vidas Secas”, do escritor modernista Graciliano Ramos, narra a morte da cachorrinha Baleia, sacrificada pelo próprio dono, desconfiado de que o animal estava contaminado pelo vírus da raiva. Longe da ficção, animais, que geralmente não têm o apelo doméstico, sofrem sendo cobaias de experimentos científicos no Brasil. Isso ocorre devido à falta de alternativas, mas também à banalização da morte de animais não comumente domesticáveis.
Em primeira análise, destaca-se a preocupação coerente em buscar cobaias não humanas. No século XX, na Segunda Guerra Mundial, prisioneiros eram usados em testes científicos. A prática com humanos foi proibida alguns anos depois, entretanto prosseguiu-se com espécies animais como camundongos e coelhos. Apesar de, em alguns casos, não haver alternativas além do uso de cobaias, tais ações são cruéis, egoístas e confundem a linha decisiva sobre quais animais poderão ser testados ou não. Ademais, comprova-se ser ineficiente e apresenta falhas em 92% dos casos, segundo a Vigilância Sanitária dos EUA.
Nota-se, além disso, que a maioria dos brasileiros, cerca de 41%, segundo uma pesquisa do Datafolha, são contra testes e pesquisas em animais. A partir desse dado, fica evidente que boa parte da população está consciente sobre os maus tratos e a crueldade que fazem parte dos experimentos. Entretanto, como camundongos, por exemplo, não são popularmente “pets”, a ciência move seus avanços para outros âmbitos e desvia das críticas e manifestações.
Torna-se evidente, portanto, a importância de condenar os experimentos com animais. Dessa forma, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente combata tais testes, através de incentivos fiscais, como a redução de impostos para empresas que não fizerem testes como estes. Além disso, promova campanhas publicitárias que desincentivem a compra de produtos de empresas não alinhadas à causa. Dessa forma, é possível tornar o Brasil um país que respeita todas as vidas e buscar uma ciência ética.