O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 11/04/2021

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto da falta de fiscalização em instituições de pesquisas, quanto do uso muitas vezes evitável de animais em testes. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater as condições precárias a que são submetidos os animais destinados a pesquisas. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de maiores fiscalizações em instituições responsáveis por experimentos, onde as cobaias muitas vezes quando não vão a óbito, podem ficar com uma série de lesões permanentes e dores físicas. Segundo os pesquisadores William Russel e Rex Burch, os quais criaram os princípios da substituição  de animais em pesquisas, o sistema nervoso do grupo em questão é similar ao humano. Logo, é perceptível que durante todo o processo de teste os animais sentem dores extremas, sendo incapazes de interromper tal ato.

Ademais, é fundamental apontar os estudos em animais com resultados pouco significativos como impulsionador do problema no Brasil. Tendo em vista que, os princípios éticos e morais do ser humano passam a ser questionados com base nessa postura negligente, já que este deixaria de agir pelo bem coletivo e passaria a considerar apenas o lucro capital. Incluem-se nessa categoria, empresas especializadas em cosméticos e produtos de beleza, onde tais práticas podem ser substituídas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo brasileiro, por intermédio da elaboração de leis fiscais, passe a contabilizar mais minuciosamente as práticas efetuadas em instituições de cunho científico, a fim de garantir uma menor exploração animal, dando-lhes assim, o direito inegável à vida. Paralelamente, os laboratórios apesar de manterem os experimentos, devem buscar aperfeicoamento, substituindo o uso de animais em testes simples por outros métodos menos abusivos, com o intúito de amenizar o sofrimento das cobaias e não barrar o progresso científico. Assim, se consolidará uma sociedade mais empática, onde a coletividade alcançará a Utopia de More.