O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 11/04/2021
Precisa mesmo ter animais como cobaias?
O Instituto Royal, em São Roque, a 59km de São Paulo, foi invadido por ativistas que buscavam salvar animais, como cães da raça beagle, que eram usados em testes de produtos cosméticos e farmacêuticos, acusando-os de maltrata-los no processo. O instituto, no entando, afirmou que realiza todos os testes dentro das normas e exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Essa invasão motivou um debate no país, questionando a necessidade do uso de animais em testes científicos. Será que eles não podem ser substituídos? Porém, a falta de opções e a indispensabilidade de avanços na medicina não devem ser o foco no momento?
Em primeira instância, vale ressaltar que, de acordo com a Contituição brasileira de 1988, as cobaias não devem sofrer e é indispensável a existência da Comissão de Ética no Uso de Animais, para analisar cada projeto. Além disso, eles só podem ser utilizados quando não há outra alternativa. Na Europa, as regras são mais específicas, proibindo a venda de cosméticos que foram testados em animais, contudo, obriga o uso dos mesmos no desenvolvimento de remédios. Segundo Paulo André Nóbrega, engenheiro químico brasileiro que trabalha na Europa, o modelo em vidro funciona, mas somente para cosméticos. Para remédios é necessaria a prova de que funciona em organismos vivos, visto que existem diversas variáveis, como a coagulação sanguínea, a reação do sistema imunológico, o processo inflamatório, entre outros, os quais não são possíveis de prever em simulações.
Vale ressaltar também que, faltam alternativas para as pesquisas. Samuel Guerreira Filho, bioquímico, ressaltou que “não tem alternativas hoje e no curto prazo para substituir esses testes”, ou seja, mesmo que, em algumas situações seja possível fazer tal substituição, muitas vezes eles são necessários e insubstituíveis. Assim como a pesquisadora da Faculdade de Medicina e Zootecnia da USP, Silvana Gorniak, afirmou: “o uso de animais não é opicional. Existem situações em que eles simplesmente não podem ser substituídos”. Visto isso, a falta de opção, nos dias atuais, é um empecilho que dificulta a substituição dos mesmos.
Sendo assim, é de extrema importância que cientistas de todo o mundo continuem pesquisando e testando diferentes métodos, visando diminuir, o máximo possível, a utilização de animais em testes. Ademais, os governos Federais devem fiscalizar as instituições de pesquisa, procurando saber se estas estão agindo de acordo com a constituição, para que, dessa maneira, não haja um abuso dos animais e que eles não estejam sendo usados de maneira desnecessária.