O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Em 2021, foi lançado o documentário “Save Ralph”, sobre exploração de animais na indústria de cosméticos. O curta contava a história de um coelho que era usado de cobaia em um laboratório e, sem ter noção de sua realidade, se dizia grato aos humanos por ter um trabalho. Surgiu, então, um grande debate nas redes sociais sobre o boicote a marcas que ainda estavam envolvidas com testes em seres vivos. Dentro desse tema, surgem dois questionamentos: se experimentos em animais são necessários e a como lidar com a desinformação sobre quais marcas ainda realizam tal prática.

A discorrer sobre o assunto, existe uma discussão sobre a necessidade dos testes em animais para produtos de consumo humano. A resposta é variável, visto que existem tecnologias que substituem facilmente os animais em testes cosméticos e de produtos de limpeza, mas usar seres vivos ainda é a opção possível para bens como vacinas e remédios. Até mesmo a “Vegan Society” (Sociedade Vegana – referência para o estilo de vida que extingue consumo de animais) afirma que o veganismo deve ser adotado “dentro do possível e praticável”, e, para questão de saúde, usar produtos envolvidos com exploração animal ainda é a alternativa a que se deve recorrer. Esses são questionamentos que envolvem a ética e a moral.

Sobre o mesmo assunto, sob a óptica dos que discordam de teste em animais para cosméticos, existe outra discussão, esta a respeito de como marcas que não abandonaram a prática tentam se esconder. Por exemplo, em pesquisa da revista Núcleo do Conhecimento, 21% dos entrevistados não sabiam que marcas testam em animais. Para consulta, existem aplicativos e sites que fornecem informações sobre marcas “cruelty-free”. Todavia, algumas marcas denominam-se “veganas” para conquistarem consumidores, quando na verdade são parte de grandes multinacionais envolvidas com exploração animal e humana, de maneiras diferentes, porém ambas muito cruéis. Nota-se a priorização do lucro contra a responsabilidade para com o comprador.

Infere-se, por fim, que os testes em animais ainda se fazem necessários para algumas poucas situações, mas possíveis alternativas devem ser buscadas. Para lidar com a problemática, cabe ao poder público, por meio do patrimônio acumulado e recursos destinados, investir em pesquisa para o aperfeiçoamento de tecnologias que substituam animais em laboratórios, além de aprimorar as leis sobre o assunto, o que geraria um avanço para os defensores da causa animal. Outrossim, cabe à mídia, por meio dos veículos de comunicação, divulgar informações sobre como funciona o processo de testagem em animais e quais marcas o fazem, a fim de gerar consumidores conscientes, o que pode impulsionar marcas responsáveis. Assim será possível salvar muitos ralphs.