O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 19/05/2021
A animação “Salve o Ralph”, produzida pela Humane Society International, traz uma espécie de documentário irreal, o qual mostra a rotina de trabalho do coelho Ralph. Este, desde que nasceu, é cobaia em testes científicos e, no decorrer da animação, tem partes de seu corpo machucadas por conta dos produtos que os cientistas testam em seus olhos, pele e até mesmo injetam em seus músculos. Fora da ficção, muitos animais são submetidos a testes na indústria cosmética e farmacêutica, inclusive no Brasil. Esse tipo de procedimento levanta muitas revoltas e controvérsias, intimamente ligadas à ética e resultados das experimentações.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que animais são explorados em laboratórios para que humanos possam usar seus produtos, principalmente higiênicos, de forma segura. Contudo, vem o questionamento se é justo animais sofrerem para que os homens vivam bem. Todos os testes científicos causam sofrimento nos bichos, pois, de acordo com os neurocientistas William Russel e Rex Burch, esses possuem substâncias neurológicas as quais geram consciência e comportamentos intencionais e, portanto, também sentem dor, talvez ainda mais que as pessoas. Exemplo disso são os coelhos, muito presentes em laboratórios, os quais seus olhos são maiores e hipersensíveis comparados aos humanos e, quando em contato com compostos químicos, ficam extremamente inflamados.
Ademais, conforme o Projeto Esperança Animal (PEA), as diferenças biológicas entre animais e humanos são muito notáveis e, testes que deram bons resultados nos bichos, podem não ter o mesmo efeito no organismo das pessoas. Citando caso exemplar, existe o do medicamento “Cylert”, composto pela substância pemolina e que é usado para tratar déficit de atenção e hiperatividade, o qual mesmo após testes, ocasionou insuficiência hepática aguda em treze crianças dos Estados Unidos, as quais onze ou tiveram que passar por transplante de fígado ou morreram, de o artigo da revista The Lancet, publicado nos anos 80.
Portanto, é de extrema importância que medidas sejam tomadas para melhorar a situação envolvendo testes e pesquisas em animais no Brasil. Posto isso, o Ministério da Justiça deve, por meio de amplo apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, implantar leis que proíbam a testagem em animais, já que estão em desenvolvimento promissor outros métodos, como modelos matemáticos e computacionais, além de técnicas in-vitro já usadas, que originam tecidos de seres humanos ou animais para os testes. Desta forma, os bichos não sofrerão mais sendo cobaias e a realidade do pequeno coelho Ralph ficará apenas nas telinhas.