O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 29/06/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao uso de animais em testes científicos. Diante disso, apesar do papel crucial da utilização de bichos na pesquisa científica para a descoberta de anestésicos, de antibióticos e de anti-inflamatórios, já existem métodos alternativos eficientes para evitar que os animais sejam sacrificados em laboratório. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a lenta mudança na mentalidade social e a carência de debate.

Primeiramente, é preciso salientar que a lenta mudança na mentalidade social é uma causa latente do problema. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do uso de animais para propósitos científicos é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que os bichos são erroneamente identificados pela sociedade brasileira como objetos e meios para fins humanos. Diante disso, nota-se que esse esteriótipo leva ao aumento de casos em que os animais são submetidos à aflições (dor, angústia e intensos sofrimentos) nos laboratórios, realidade alarmante que dificulta a resolução do problema.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de debate. Desse modo, Habermas traz uma contribuição importante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que a quantidade de experimentos científicos feitos em animais seja reduzida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, visto que há pouca discussão nas escolas sobre a relevância de testes científicos que dispensam animais. Assim,trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre os maléfícios dos procedimentos ciêntificos para os animais que são utilizados como cobaias, bem como incentivem o consumo de cosméticos e medicamentos não testados em animais no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área das ciências biológicas. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.