O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 21/06/2021

Durante a Segunda Guerra Mundial animais como ratos e morcegos eram utilizados como cobaias de objetivos militares, sendo submetidos a experimentos e contextos cruéis. De maneira análoga, a situação vivenciada na contemporaneidade brasileira é preocupante no que se diz respeito ao uso de animais em testes científicos e pesquisas. Embora haja fiscalização e leis que protejam os bichos de serem violentados, muitos laboratórios chegam a sacrificá-los em prol da ciência. Tal cenário decorre de fatores econômicos e históricos, os quais demandam solução urgente.

A princípio, vale ressaltar como o sistema capitalista legitima situações de maus-tratos contra animais, sobretudo, no campo científico. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo alemão Karl Marx, a busca pelo lucro no capitalismo extrapola valores éticos e morais. Dessa maneira, observa-se que muitos laboratórios voltados para o mercado cosmético ou farmacêutico classificam animais como objetos, uma vez que submetem ratos a tratamentos dolorosos e lucram com a exploração desses bichos. Sendo assim, o uso antiético de cobaias como, por exemplo, camundongos em testes de grandes empresas capitalistas, como traduz a perspectiva marxista, é dado como válido, pois se apoia na ideia do lucro, mesmo sendo considerado ilegal.

Além disso, é importante analisar como a histórica utilização de animais como cobaias em grandes descobertas da ciência intensifica o problema em questão. Nesse contexto, é relevante aludir à frase atribuída ao filósofo Nicolau Maquiavel ao dizer que os fins justificam os meios. Diante disso, nota-se que por mais que, em geral, coelhos e macacos sejam utilizados desde séculos passados em testes invasivos de vacinas, todo esse sacrifício classifica-se como normal, já que sua finalidade se resume no progresso do campo científico. Logo, são através de discursos embasados no avanço da ciência, que casos de denúncia contra abuso de cobaias em laboratórios não recebem importância, tornando comum situações que colocam em risco a vida desses seres vivos.

Portanto, é necessário superar os fatores que agravam o uso incoerente de animais em pesquisas científicas. Para isto, faz-se inevitável a tomada de ações por parte do Legislativo. A ele, compete fomentar leis já existentes a respeito da utilização de animais em testes científicos no Brasil, por meio da fiscalização de laboratórios legais e punição dos considerados ilegais. Essa medida, para conter êxito, deve contar com a criação de órgãos que recebam denúncias contra testagens violentas às cobaias, a fim de que se possa garantir o cumprimento da lei por parte de institutos científicos e preservar a vida dos bichos. Feito isso, a ciência conseguirá avançar junto a valores éticos e morais.