O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 21/06/2021

O curta-metragem norte-americano “Salve o Ralph”, narra a história de um coelho cobaia que sofre com as químicas dos experimentos de empresas de produtos estéticos. Fora das telas, o filme é capaz de traduzir a forte presença dos entraves relacionados ao uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil. Assim, dada a gravidade em questão, faz-se necessário compreender os fatores sociais e econômicos referentes a essa situação que carece de solução urgente.

De início, é relevante ressaltar como o desprezo da sociedade corrobora a existência do problema. Nesse sentido, segundo a célebre obra “Eichmann em Jerusalém” da filósofa alemã Hannah Arendt, a banalidade do mal é a perpetuação e a naturalização da violência de forma arbitrária e repetitiva. Sob tal ótica, percebe-se que o egoísmo humano se torna claro quando testes científicos executados em animais são ignorados e banalizados, já que tais experimentos não violentam o homem. Prova disso é o fato de que, somente no ano de 2021 o teste em animais tornou-se proibido em apenas 10 estados do Brasil.

Além disso, é preciso compreender, também, que o sistema capitalista é um fator determinante para a problemática em questão. Nessa perspectiva, de acordo com as reflexões do filósofo Byung-Chul Han, vive-se a “sociedade do desempenho”, conceito na qual afirma que toda a realidade é regida pela lógica da alta produtividade. Como reflexo disso, devido ao capitalismo, tem-se a tentativa de obter-se lucro a qualquer custo. Consequentemente, há o aumento de produtos testados em animais por parte das grandes corporações, tais como a Unilever e Avon.

Fica evidente, portanto, a urgência em coibir essa preocupante realidade. Para isso, o Estado, como instância máxima de administração legislativa, deve atuar a favor da população, através da criação de leis que assegurem a proteção dos animais em todos os estados brasileiros. Além disso, é dever do Governo Federal por meio do Ministério da Educação, realizar campanhas de conscientização para que a sociedade seja alertada dos maus-tratos em que os animais são submetidos nos experimentos científicos. Por fim, será possível construir um caminho de superação para esse entrave social.