O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 20/06/2021

O especismo, que é a crença na superioridade da espécie humana como forma de legitimar a exploração e o impacto antropológico sobre outras espécies, é abordado por Peter Singer, filósofo utilitarista, em algumas de suas obras. Para ele, o especismo não é apenas incoerente, mas também antiético. Suas reflexões são importantes diante de debates como o do uso de animais em pesquisas e testes científicos, que ocorrem atualmente no Brasil, país que está de acordo com o especismo, tendo em vista suas leis e a cultura de seu povo. Diante desse debate, cabem duas análises diferentes, uma sobre pesquisas relacionadas a cosméticos e outra sobre as relacionadas a medicamentos.

Em primeiro lugar, vale destacar o curta-metragem de animação Salve O Ralph, que ilustra um ‘dia de trabalho’ de um coelho usado como cobaia para testes de cosméticos. O vídeo traz imagens e informações fortes, que comovem o telespectador, e que são equivalentes a realidade por traz do processo de testagem de produtos como maquiagens ou desodorantes, que poderiam – e há concordância profissional quanto a isso – ser testados em culturas de células da pele humana. Sendo assim, para tais produtos, que agem a nível superficial, os avanços tecnológicos já existentes cumprem o necessário, o que faz com que a persistência do uso dos animais nesse campo seja antiquada e desrespeitosa.

Contudo, em segundo lugar, sabe-se que, até então, no que diz respeito ao desenvolvimento de medicamentos, que são extremamente mais complexos e agem sobre todo o corpo humano, infelizmente não se faz possível a substituição desse recurso. Mas, cumpre salientar, a possibilidade desse uso no presente não pode fazer com que esse se torne um lugar cômodo, pelo contrário, a busca por novos recursos deve ser exigida. Isso porque precisamos de que, da mesma forma que há décadas atrás havia maior dependência de testes em outras espécies, essa dependência seja reduzida progressivamente em décadas futuras.

Isso posto, fazem-se necessárias duas medidas principais. A primeira, que deve ser implementada pelo Poder Legislativo, é a proibição definitiva da venda, no país, de cosméticos testados em animais. A segunda, que deve ser realizada pelo Conselho Nacional de Medicina em parceria com o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, é a elaboração de um plano de meta para o desenvolvimento de novas tecnologias no setor de pesquisa de medicamentos, em até dez anos. Para isso, devem contar com a atuação de profissionais qualificados e atualizados, a fim de que a sujeição ao uso dos animais seja superada em todos os campos, o que consequentemente significará rompimento, em certo nível, com o especismo.