O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 20/06/2021
A cultura antropocêntrica teve destaque na Europa no fim da Idade Média, dispôs como embasamento a ideia de que o ser humano devia ser o centro das relações universais. Embora a sociedade brasileira do século XXI apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão do uso de animais não-humanos em experimentos científicos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema ético, em virtude da utilização e da não utilização de seres vivos em testes de laboratório.
Deve-se destacar, de início, o uso de animais para pesquisas e estudos na área da ciência como um dos complicadores do problema. Segundo John Pippin, diretor de assuntos acadêmicos do Comitê de Médicos por uma Medicina Responsável, os experimentos com animais podem ser detidos sem custo algum para o avanço científico. Nessa perspectiva, pode-se observar que é possível substituir modelos animais por outros métodos tecnológicos, como a nanotecnologia, para evitar a crueldade no âmbito das ciências.
Em contrapartida, na Constituição Federal de 1988, há regulamentações que permitem o uso de animais não-humanos em experimentos científicos. De acordo com Silvana Gorniak, pesquisadora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, existem situações em que não há substituição para a utilização de animais em testes. Desse modo, é necessário que os valores éticos e a tecnologia estejam atrelados para que os danos às cobaias sejam mínimos.
Portanto, para que os ideais éticos se contraponham à cultura antropocêntrica do século XV, é necessária uma ação mais efetiva do Governo. Sendo assim, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação juntamente ao Ministério do Meio Ambiente criar projetos voltados à sustentabilidade, com o intuito de investir em biotecnologia para que viabilize a substituição de animais em experimentos por modelos 3D e materiais sintéticos feitos a partir de nanotecnologia e simulações computacionais. Sendo assim, animais estarão menos propensos a crueldade e o espaço científico contará com valores mais éticos.