O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 12/07/2021
O filósofo inglês Jeremy Bentham foi o primeiro na apresentação de animais sob uma ótica humanitária, em contramão aos ideais historicamente vigentes desde o século 18, os quais afirmavam que o ser humano não devia nenhuma obrigação moral a qualquer outra espécie, ou que os animais deveriam ser considerados meios para finalidades humanas. Na contemporaneidade, entretanto, o debate acerca do uso de animais em pesquisas científicas, como também sua aplicação na bioética, fez-se essencial.
Em primeiro plano, é importante compreender o significado de bioética e sua importância no meio científico atual. O termo “bioética”, derivado do grego “bios ethos”, é por definição a fundamentação ética do tratamento da vida, seja ela qual for, sendo assim um conceito protagonista nas discussões científicas, principalmente relacionadas aos direitos dos animais que são usados frequentemente em testes e estudos, sofrendo manipulações ou até mesmo maus-tratos em nome do avanço científico. Ademais, no Brasil, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) é o grande responsável pela regulamentação de normas que impedem o abuso da vida animal, todavia a temática ainda tangencia fortemente questões morais e da da mentalidade estruturada no país,
Outrossim, de acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, a coisificação de seres não humanos é extremamente prejudicial, pois gera uma visão antropocêntrica da sociedade que já devia ser superada, em vista dos estudos que apresentam a interdependência das espécies. Paralelamente, a ciência ainda se diz incapaz de eliminar completamente o uso de animais em pesquisas, segundo a médica veterinária Carla de Freitas, da Fundação Oswaldo Cruz, sem a utilização de seres vivos diversas descobertas e medicamentos não teriam sido alcançados até os dias atuais, transparecendo a grandeza da temática que ainda apresenta conflitos entre a defesa da ética e o avanço acelerado.
Portanto, fica evidente a amplitude da problemática em termos nacionais e globais. Isso posto, faz-se crucial que o Ministério da Ciência, ligado ao Concea, receba verbas especificamente destinadas a colaboração para o desenvolvimento de novas metodologias de estudo e pesquisa que dispensem o uso de animais, por meio de financiamentos públicos, a fim de garantir um futuro de bem estar a todos os seres, conciliando o avanço científico e a bioética.