O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 28/07/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a existência de testes de forma irrestrita em animais para pesquisas e testes científicos representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da pouca atenção dada pelo Estado aos testes em animais, quanto do desconhecimento da população a respeito da existência dessa problemática. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar que o Estado erra, ao não incentivar a adesão das empresas a métodos alternativos aos procedimentos com cobaias. Nesse sentido, laboratórios realizam testes em seres vivos, muitas vezes de maneira irrestrita e desumana, objetivando apenas o lucro com seus produtos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo francês Émile Durkheim, configura-se como um fato social patológico, já que acarreta o agravamento dessa problemática, impactando, de maneira nociva, o pleno desenvolvimento da sociedade. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é fundamental apontar o desconhecimento da população sobre quais produtos são testados em animais como impulsionador dessa prática no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo G1, na cidade de São Paulo, apenas 18% dos consumidores costumam pesquisar se um determinado item foi previamente testado em seres vivos. Dos que não procuram se informar, mais da metade citou a dificuldade de se encontrar essa informação na embalagem. Diante de tal exposto, fica evidente que os produtos não apresentam uma diferenciação clara ao consumidor, indicando se foram testados ou não em animais. Logo, é inadmissível que esse cenário de dúvida continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, que o Governo Federal, por meio da redução de impostos cobrados às empresas, incentive a adesão de experimentos que não utilizem seres vivos, além de exigir de cosméticas a inserção de um selo na parte frontal das embalagens, com uma indicação ao consumidor quanto às práticas de testes em cobaias, visando, assim, respeito aos direitos dos animais, ao direito do consumidor e à segurança no consumo de produtos. Assim, será consolidada uma sociedade mais empática, em que o Estado cumpre efetivamente seu dever de combater a supracitada patologia social, tal como nomeia Émile Durkheim.