O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 17/09/2021

Manuel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática do uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante ressaltar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais que visem a proteção de animais usados em testes laboratoriais. Nessa conjuntura, a Constituição Federal, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 225, que o Estado deve proterger a fauna e a flora. Sob esse viés, na medida em que existem animais, usados como cobaias, para a fabricação de produtos voltados para a indústria da beleza, observa-se, nesse ponto, a falha grotesca da função do poder público, o que, infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da Moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que o cidadão brasileiro, ao comprar um produto, não se importa com o método usado em sua testagem. Essa situação ocorre, porque, a população assume uma postura individualista e não se movimenta em prol da proteção animal. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. O Governo Federal, deve promover grandes operações de fiscalização, em conjunto com a polícia ambiental, em laboratórios que fazem uso de animais em seus processos de testagem, aplicando multa e resgatando-os. E como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e estas mudam o mundo. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto e que tenham o alunos do ensino médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartihada na rede social do Ministério em formato de “Live” com a finalidade de trazer mais clareza sobre o uso de animais em testes de laboratório, atingindo assim um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela infiltração dos elementos elencados na Magna Carta.