O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 09/10/2021

A organização Humane Society International, para tentar envolver mais pessoas na missão de banir testes em animais, lançou em 2021 o curta-metragem “Salve o Ralph” que retrata a dura rotina de um coelho como cobaia em um laboratório. Nesse contexto, certos experimentos científicos realizados no Brasil, de forma semelhante à mostrada no filme, ainda utilizam diferentes espécies de animais em testes. No entanto, apesar de opiniões contrárias, observa-se que reverter esse cenário é uma ação desafiadora, já que, se por um lado tal uso é danoso aos seres utilizados, por outro muitas pesquisas dependem da utilização de cobaias não humanas para serem realizadas.

No âmbito dessa discussão, é notório destacar que o uso de animais para testes científicos, por vezes, prejudica seu bem-estar. Isso porque tais experimentos expõem as cobaias a diversos risco à saúde, pois visam observar se a substância que está sendo estudada, trará alguma reação negativa ou não após ser aplicada. Sobre isso, o Dr. John Pippin, diretor de assuntos acadêmicos do Comitê de Médicos por uma Medicina Responsável, considera que a utilização de animais em testes de laboratórios além de contradizer a ética e ser cruel, também, de forma geral, têm uma aplicabilidade baixa nos seres humanos. Desse modo, nota-se que tal prática pode vir a ser desnecessária, resultando no sofrimento em vão dos animais.

Contudo, ainda existem importantes pesquisas científicas que têm a necessidade de testar seus experimentos nessas cobaias. Esse contexto envolve estudos que em certo momento precisam de um organismo vivo para comprovar sua eficácia e por isso não podem utilizar os métodos alternativos, que não utilizam animais. Por exemplo, os experimentos para a criação de órgãos artificiais trabalham, em geral, com moldes que são produzidos in vitro e depois implantados em ratos ou porcos para testar características como a biocompatibilidade do órgão, como foi o caso do Laboratório de Células-tronco da Faculdade de Farmácia da UFRGS que realiza um trabalho para a construção de órgãos como pele e ossos fora do corpo. Assim, para atender essas pesquisas ainda são necessários avanços nos métodos que não usem animais para testes científicos.

Convém, portanto, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações estimular pesquisas de criação e aprimoramento de métodos alternativos por meio do envio de maiores verbas para financiar projetos e estudos que tenham esse objetivo, como o Laboratório de Desenvolvimento e Validação de Métodos Alternativos para Avaliação de Segurança e Eficácia de Bioprodutos. Espera-se, com isso, estimular a aplicação desses métodos em mais pesquisas e testes científicos e proporcionar o fim de cenários como o apresentado em “Salve o Ralph”.