O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 09/10/2021
O pensamento positivista formulado pelo filósofo francês Auguste Comte inspirou a frase política “ordem e progresso”, exposta na célebre bandeira nacional como ideal de desenvolução da nação. Entretanto, o uso indiscriminado de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Dessa forma, faz-se necessário discutir o tema, sendo essa problemática agravada pela construção histórica das ciências naturais e pela negligência governamental. Tal fato reflete uma realidade complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população tupiniquim.
A priori, torna-se fundamental apontar que o revés encontra motivação no desenvolvimento histórico do meio científico hodierno. Nesse cenário, é possível associar tal questão ao pensamento do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, segundo o qual a interpretação da realidade coletiva ocorre somente por meio do entendimento das forças que estruturaram o corpo social. Sob esse viés, a Revolução Científica trouxe consigo a crescente utilização irresponsável de animais em ensaios e testes nas ciências naturais. Destarte, submetidos a torturantes pesquisas científicas, tais seres sofrem fisicamente, o que viola os princípios éticos e reverbera um quadro preocupante de involução. Portanto, a construção histórica das ciências apresenta-se como um fator agravante do problema.
Outrossim, é oportuno mencionar que o pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. Todavia, o pensamento do filósofo vai de encontro ao cenário vigente, uma vez que o poder público mostra-se falho na responsabilidade de regulamentar e fiscalizar a utilização de seres vivos em pesquisas científicas. Assim, beneficiados pela legislação deficiente, os cientistas empregam cada vez mais os animais em testes, o que amplia a tortura física e leva à violação ética supracitada. Logo, enquanto as autoridades ambientais forem negligentes, será possível observar a persistência do impasse no Brasil.
Diante do exposto, para combater o uso indiscriminado de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional de Progresso Científico, o qual consistirá no maior investimento em métodos científicos que utilizem meios éticos e alternativos para promover o desenvolvimento. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade diminuir o emprego de seres vivos nas ciências e, assim, propiciar o avanço tecnológico responsável. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade aproximar-se-á dos ideais almejados no simbólico pavilhão brasileiro.