O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 03/11/2021

O médico nazista conhecido como “Anjo da Morte”, Josef Mengele, é condenado historicamente por suas cruéis experiências com seres humanos durante o período da Segunda Guerra Mundial. Todavia, estabelece-se com isso, um paradoxo com a hodiernidade, pois, a prática de utilização de animais para testes farmacológicos e cosméticos é análoga às atrocidades cometidas pelo regime e ainda é aceita na sociedade, sendo empregada por diversas empresas multinacionais. Nesse contexto, não há dúvidas de que essa problemática é um desafio a ser resolvido no Brasil, derivado do mito de superioridade humana perante outras espécies, bem como do sistema capitalista vigente. Por esse viés, é pertinente analisar a frase do livro “A Revolução dos Bichos”, em que George Orwell cita que todos os bichos da fazenda são iguais, mas alguns são mais iguais que outros, retratando a hierarquia disfarçada, porém presente, na comunidade apresentada. Dessa modo, tal especismo também é encontrado nas relações contemporâneas entre homens e animais, já que a suposta supremacia humana permite a degradação de outros de maneira nefasta e impiedosa para atender aos interesses dessa classe dominante. Além disso, essas atitudes bárbaras são seletivas e contraditórias, de forma que alguns bichos são considerados domesticáveis e parte da família, ao mesmo tempo que outros sofrem nas mãos da ganância humana. Outrossim, esses atos são promovidos pelas relações de produção e consumo observadas na atualidade. Por esse prisma, a socióloga Hannah Arendt discorre sobre a “banalidade do mal”, em seu livro Eishmann em Jerusalém, afirmando que ao presenciar cenas brutais frequentemente, elas deixam de possuir o efeito de pavor na população. Por conseguinte, é notório que a relação de exploração animal se encaixa nessa tese, pois, para gerar lucro no modelo capitalista, as empresas optam por tais testes, que são mais baratos, e acostumam a humanidade com a ideia, que acaba não gerando tanta comoção como antes. A partir dos argumentos supracitados, infere-se, pois, que o uso de animais em pesquisas e testes é uma questão a ser resolvida urgentemente no país. Portanto, é papel das escolas, em parceria com a mídia, elucidar sobre os problemas dessa prática abusiva, por meio de palestras e trabalhos lúdicos -como feiras abertas a comunidade apresentadas pelos alunos- para que a população tenha ciência e evite consumir produtos que utilizem esses métodos terríveis. Somente assim, será possível evitar que os humanos continuem a agir como os porcos descritos por George Orwell.