O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Gregor Mendel, grande biólogo do século XIX, fez descobertas que revolucionaram a ciência da época: utilizando ervilhas, definiu os primeiros conceitos sobre hereditariedade da história e, por isso, ficou mundialmente conhecido como o “pai da genética”. Atualmente, com a evolução das pesquisas científicas, além do manuseio de plantas, animais também passaram a ser manipulados. No entanto, a oposição entre o bem-estar desses seres e o avanço da ciência provoca discussões acerca da utilização de animais em experimentos científicos. É preciso, portanto, analisar os prós e contras desse dilema, com o intuito de compreendê-lo e, possivelmente, saná-lo.
Precipuamente, percebe-se que, em muitos testes, o mero tratamento dado às cobaias coloca em risco a sua saúde. Segundo o escritor Umberto Eco, “para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável”, contrariando o que acontece nesses experimentos, visto que atitudes de maus-tratos aos animais e procedimentos pré-experimentais realizados de forma delinquente não respeitam os limites de resistência desses seres. Desse modo, é impossível tolerar uma situação deplorável como essas, em que avanços científicos e tecnológicos são priorizados em detrimento da vida de um organismo, sem que ocorram estudos prévios que garantam a integridade das cobaias. Logo, medidas cabíveis e efetivas devem ser tomadas com o objetivo de combater esse problema.
Em contraposição, o desenvolvimento científico só alcançou o patamar atual com o uso de animais em pesquisas. Assim, a criação de remédios “famosos”, a exemplo do Dorflex, utilizado para o tratamento de dores e relaxamento muscular, só foi possível devido à manipulação de indivíduos vivos semelhantes aos seres humanos, de maneira a simular com precisão os efeitos de fármacos, cosméticos, entre outros produtos. Dito isso, o equilíbrio entre o uso de animais em experimentos científicos e o devido tratamento ético que as cobaias devem receber deve ser encontrado, de modo que os desdobramentos ambientais decorrentes dessa prática sejam atenuados.
Destarte, a utilização de animais em pesquisas é um questionamento pertinente para a modernidade e que deve receber atenção especial. Para tal, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações, órgão federal responsável pelas práticas científicas realizadas nos laboratórios do país, em parceria com ONG’s de proteção animal, formulem métodos que preservem a integridade física das cobaias usadas. Essa ação será tomada pelo intermédio da cooperação entre pesquisadores e ativistas defensores do animais, que irão idealizar as melhores metodologias para testes, com o fito de diminuir os casos de maus-tratos e doenças nos animais após os estudos. Somente assim, a ciência evoluirá de maneira ética e sustentável, tal qual na época de Mendel, o célebre “pai da genética”.