O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 05/11/2021
O vídeo “Salve o Ralph” viralizou em 2021 ao ilustrar a rotina do coelho Ralph - torturado, esfacelado e imoralizado- como cobaia de laboratório. Para além desse universo, o uso de animais em pesquisas e testes científicos, sobretudo no Brasil, faz-se regra, mesmo que, muitas vezes, se aproxime da torturante existência do Ralph. Isso não se evidencia apenas pela grande mortalidade dos bichos, mas também pelo difícil debate bioético que permeia a problemática. Cabe-se, então, buscar medidas para, de maneira simultânea, permitir o avanço científico e o bem estar dos animais usados em pesquisas.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, o uso da fauna, principalmente ratos, para testagem de novos procedimentos científicos ergue-se como instrumento de tortura para os animais participantes. Isso porque, ao realizar alterações fisiológicas nos bichos para pesquisas, ocorre a alteração da homeostase desses seres e, na maioria dos casos, dor e, possivelmente, a morte, uma vez que o número de cobaias necessárias para uso científico contabiliza as perdas por erros. Segundo pesquisas do DataFolha, cerca de 41% da população brasileira é contra o uso de animais nos testes, esse fato demonstra a preocupação de expressiva parcela do país com bem estar desses frágeis seres, os quais são torturados e explorados, em sua mínima essência, pelo suposto avanço científico.
Ademais, vale ainda ressaltar que, apesar da angustiante metodologia utilizada pelos cientistas brasileiros para investigar os efeitos de inúmeros procedimentos nos animais, não existem, ainda, novos mecanismos para alcançar esse mesmo resultado, ou seja, a utilização dos bichos mostra-se essencial para garantir a segurança dos humanos. Nesse caótico cenário bioético, se faz imprescindível aplicar um dos conceitos desse ramo, a não maleficência - não causar sofrimento aos vivos-, o que pode ser aplicado ao reduzir a vida do animal ao primeiro sinal de dor e evitar o número excessivo de pesquisas e testes. Dessa forma, a fauna utilizada sofreria menos com os testes e as investigações poderiam ocorrer respaldadas pela bioética, fundamental para preservar a vida de todos.
Torna-se evidente, portanto, a importância de atrelar o uso de cobaias pela ciência com a ética, para o bem estar desses seres. Para efetivar esse quadro, é preciso que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Saúde, faça, em conjunto com os cientistas do país que testam em animais, uma nova regulamentação para proteger a fauna utilizada. Isso deve ocorrer por meio do investimento em novas maneiras de realizar a pesquisa, sem o uso excessivo de seres vivos e pelo tratamento ou interrupção daqueles que forem lesados durante o uso científico, a fim de reduzir o sofrimento animal, mas, ao mesmo tempo, posibilitar o avanço da ciência no país. Dessa maneira, construir-se-á uma sociedade em que, de fato, a realidade torturante vivida por Ralph pertença apenas ao plano ficcional.