O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 09/11/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de pesquisas científicas, o uso de animais em testagens laboratoriais funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, uma restrição de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopenhauer, “os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo”. Nessa fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se as pessoas não informações corretas sobre como e quando os animais sofrem em testes de laboratório para medicamentos e pesquisa, o campo de visão será afetado. Por esse Ângulo, com uma observação fragilizada, o coletivo reside em um “repouso irracional”, ou seja, não racionaliza para mudar seu modo de vida e, consequentemente, aplica pouca importância na questão de qualidade de vida de cobaias laboratoriais, persistindo o seu uso. Por isso, a racionalização comunitária é essencial para discutir e melhorar os assuntos pertencentes ao país.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre o uso de seres vivos em experimentos de laboratório apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar civilizacional. Segunda Hannah Arendt, na teoria da “banalidade do mal”, “o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação. Essa frase pode ser comparada com a utilização de ratos, coelhos e cachorros em testes de remédios, por exemplo, em que muitas pessoas pensam ser comum esse método que por tantos anos está presente, não julgando e exigindo outra alternativa menos danosa. Nesse aspecto, a população não apresenta uma característica contestadora e ativista pela razão de não ser incentivada a isso, devido a permanência de um enraizamento cultural advindo com informações - estatísticas - insuficientes sobre o assunto.  Com isso, é evidente que combater a banalidade é primordial para diminuir o uso de cobaias laboratoriais.

Portanto, medidas são necessárias para diminuir o uso de seres vivos em experimentos de laboratório. Por conseguinte, cabe à escola realizar palestras, ministradas por veterinários, com o “slogan”: “ Os bichinhos merecem isso?”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo entre o público presente e o especialista sobre o uso de animais em testagens laboratoriais, com dados estatísticos e infográficos, de modo que seja explicado como esses experimentos funcionam e como eles podem machucar certos animais, resultando em uma reflexão coletiva e informatização social.