O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 09/11/2021

Em 2021, foi lançado o documentário “Save Ralph”, sobre testes em animais na indústria cosmética. Esse curta contava a história de um coelho cobaia, que, sem ter noção da realidade, dizia-se grato aos humanos. Surgiu, então, um grande debate nas redes sociais sobre o boicote a marcas envolvidas com testes em seres vivos. Dentro desse tema, surgem dois questionamentos: se experimentos em animais são necessários e como lidar com a desinformação sobre quais marcas ainda realizam tal prática.

A discorrer sobre o assunto, existe uma discussão sobre a necessidade dos testes em animais para produtos de consumo humano. A resposta é variável, visto que existem tecnologias que substituem facilmente os animais em testes cosméticos e de produtos de limpeza, mas usar seres vivos ainda é a opção possível para bens como vacinas e remédios. Até mesmo a “Vegan Society” (sociedade vegana - referência para o estilo de vida que extingue o consuno de animais) afirma que o veganismo deve ser adotado “dentro do possível e praticável”, e, para questão de saúde, usar produtos envolvidos com exploração animal ainda é a alternativa a que se deve recorrer. Esses são questionamentos que envolvem a ética e a moral.

Sobre o mesmo assunto, sob a ótica daqueles que discordam de testes cosméticos em animais, existe outra discussão, esta a respeito de como marcas que não abandonaram a prática tentam se esconder. Por exemplo, em pesquisa da revista Núcleo do Conhecimento, 21% dos entrevistados não sabiam que marcas testam em animais. Para consulta, existem aplicativos que fornecem informaçãos sobre marcas “cruelty-free”. Todavia, algumas marcas denominam-se “veganas” para conquistarem consumidores, quando na verdade são parte de grandes multinacionais envolvidas com exploração animal e humana. Nota-se a prioridade do lucro sobre o compromisso com o comprador.

Infere-se, por fim, que testes em animais se mostram necessários para algumas situações, mas possíveis alternativas devem ser buscadas. Para lidar com a problemática, cabe ao Poder Público, por meio do patrimônio acumulado e recursos destinados, investir em pesquisa para o aperfeiçoamento de tecnologias que substituiam animais em laboratórios, além de aprimorar as leis sobre o assunto, o que seria um avanço para defensores da causa animal. Outrossim, cabe à mídia, por meio dos veículos de comunicação, divulgar informações sobre como funciona o processo de testagem em animais e quais marcas o fazem, a fim de gerar consumidores conscientes, o que pode impulsionar marcas responsáveis. Assim, será possível salvar muitos ralphs.