O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 10/11/2021

“O uso de animais em experimentos não é opcional. Existem situações em que os animais, simplesmente, não podem ser substituídos”, diz Silvana Gorniak, pesquisadora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, que realiza pesquisas com roedores para estudar o potencial terapêutico e tóxico de diversas substâncias naturais. Seu estudo atual é sobre a planta Solanum malacoxylon, conhecida popularmente como espichadeira. “Quando consumida naturalmente, ela é tóxica. Porém, estamos estudando se o princípio ativo da planta, usado em quantidades menores e controladas, pode funcionar como um substituto da vitamina “D”, explica. Para descobrir se o potencial terapêutico da planta pode se reverter em tratamentos reais, é necessário realizar testes em modelos animais. Caso a substância seja testada diretamente em cobaias humanas, o risco para os voluntários é imenso. […]Ao contrário do que tem sido apregoado por ativistas nos últimos dias, o uso de modelos animais — mesmo pequenos roedores — é importantíssimo para o estudo de doenças em seres humanos. “O camundongo é pequeno, fácil de reproduzir, tem um curto ciclo de vida e uma regeneração rápida, o que o torna uma ótima cobaia. Seu genoma é muito parecido com o humano, o que ajuda a responder a muitas perguntas, principalmente da área genética”, afirma a geneticista Mariz Vainzof, coordenadora do Laboratório de Proteínas Musculares e Histopatologia Comparada do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP (Universidade de São Paulo).