O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 26/11/2021

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, os testes científicos em animais configuram-se como obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que tal prática induz na repressão de pequenos seres, como ratos e camundongos, que perdem suas vidas para gerar resultados de produtos. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar a lacuna social no que se refere a mobilização para combater as ações cometidas por empresas, que não se comprometem na busca de métodos alternativos. Cidadãos mal informados adquirem mercadorias testadas em animais, tornando essa prática comum nas indústrias, que visam reduzir seus custos, não optando por novas fontes de pesquisa. Sob essa ótica, cabe resgatar o curta-metragem “Salve o Ralph”, que narra a história de um coelho usado para testes em laboratório, com a face e membros feridos, retratando o descaso com a causa animal por parte das firmas. À luz dessa ideia, é crucial que a população se informe, para que seja possível erradicar práticas como essas.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar os direitos dos animais. Nesse sentido, de acordo com o filósofo renascentista Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre instituições públicas e privadas requer participação de ambas na obstrução de mazelas sociais. Questões desse tipo auguram indolência do Estado. Assim sendo, faz-se necessária a ação governamental contra atos infracionais pro parte de corporações, com o intuito de garantir a dignidade e valorização da vida dos seres submetidos as pesquisas.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs de proteção animal, por meio de redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem como a população deve se atentar na compra de produtos com esses testes, esclarecendo as atrocidades cometidas. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, revigore as recentes leis de combate aos atos criminosos em pesquisas, além de incentivar novos métodos para obtenção de resultados, assegurando um avanço inclusivo para todos os seres vivos. Somente assim conseguir-se-á retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.