O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Na Roma antiga, a corrida de bigas era um dos principais eventos da cidade, e arrastava multidões durante os campeonatos. Elas aconteciam com cerca de doze carruagens, levadas por um ou mais competidores e os cavalos, e a característica mais marcante da corrida era o “naufrágio”, no qual as bigas colidiam umas com as outras, proporcionando mortes aos cavaleiros e animais. Na atualidade, isso não é mais uma realidade, mas a tração animal ainda existe no Brasil, e essa prática corrobora para os maus tratos aos animais e acarreta problemas de mobilidade urbana, sendo assim, necessárias ações governamentais para resolver o problema.

Em primeiro plano, a questão dos maus tratos aos animais é um problema, uma vez que estes sofrem com jornadas exaustivas de trabalho - que podem durar de oito a treze horas diárias - e com o peso do produto que carregam, que, somado ao peso da carroça e a massa do carroceiro, podem chegar a quase uma tonelada, segundo o artigo da Universidade Federal de Uberlândia, “Carroceiros e equídeos de tração: um problema socio-ambiental”. Ademais, a negligência nos cuidados aos equinos não se resume à isso, mas também ao uso da violência com os animais, à medida que os condutores utilizam, em sua maioria, chicotes, cordas ou outros materiais para ameaçarem e açoitarem os equídeos.

Adicionalmente, é preciso discutir acerca dos transtornos que o uso de tração animal causa no trânsito das grandes cidades brasileiras. Sabe-se que, por causa do peso que carregam, o veículo tende a ter sua velocidade reduzida, o que atrapalha o fluxo transitório das grandes cidades. Além disso, como os equinos são mais sensíveis que os seres humanos em relação à barulhos, quaisquer manifestações sonoras podem assustar os animais, e, se eles não forem controlados, podem se desorientar no meio dos carros e causar um acidente, de forma a colocar tanto a vida dos condutores de veículos automotores, quanto dos carroceiros e do próprio animal em perigo, de maneira análoga à Roma antiga.

Portanto, para resolver os problemas supracitados, com o objetivo de diminuir a crueldade animal e os transtornos de mobilidade urbana, é preciso que as prefeituras das cidades brasileiras proibam o uso de tração animal nos municípios. Isso será feito por meio de uma lei municipal, sancionada pelos prefeitos, que, além de proibir, fiscalizem os possíveis usos clandestinos e promovam o cuidado dos animais que outrora estavam na situação de tração. Outrossim, é necessário que, para que os carroceiros não percam sua renda, as prefeituras invistam em outros tipos de veículos para estes profissionais, a exemplo das bicicletas motorizadas, ou em cursos profissionalizantes para aqueles. Com isso, a tração animal deixará de ser uma terrível realidade no país.