O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 12/07/2021
O geógrafo Milton destaca que a intensificação do processo da globalização revolucionou a utilização dos meios de transporte no mundo. Entretanto, o uso de veículos de tração animal no Brasil é um fato que, na contramão da sociedade globalizada, persite e representa uma série de riscos. A priori, destaca-se que o excessivo número de equinos no ambiente urbano representa uma maior possibilidade para a transmissão de doenças. Ademais, verifica-se que os veículos de tração animal apresentam altos custos de manutenção, possibilidades de acidentes e também um risco para a o bem estar desses animais.
Historicamente, a Revolução Neolítica permitiu não apenas a sedentarização do ser humano, mas o início da domesticação de animais, os equinos, muares e bovinos passaram a ser utilizados como forças motoras para o desenvolvimento da agriculura e transporte. Entrentanto, a sociedade contemporânea possui novos mecanismos, menos onerosos e que prestigiam a ciência e a tecnologia. Outrossim, dados do ano de 2019 divulgados pelo Hospital Veterinário da UFMG, revelam que a incidência de uma doença conhecida como mormo, aumentou em mais de 30% na capital mineira. Ademais, essa patologia esta inteiramente associada à grande frota de animais utilizados como meio de transporte, mais de dois mil animais encontram-se nessa situação na região metropolitana de Belo Horizonte. Dessa forma, práticas arcaicas como a tração animal, representam um risco à saúde pública.
Além disso, é importante ressaltar os altos custos de manutenção dos equinos e muares. Segundo pesquisas do médico veterinário Aroldo Scheibe, para manter uma boa qualidade de vida, esses animais precisam de uma nutrição balancenda, uso frequente de vermífugos, casqueamento e baias para alojamento. Nessa conjuntura, para o trato adequado de apenas um animais, os gastos poderiam representar mensamelmente valores superiores à um salário mínimo, a depender da região onde encontra-se. No entanto, o uso de cavalos e muares para fins de tração é visto principalmente em famílias de baixa renda, que os utilizam justamente para prover um lucro mínimo para sobreviver. Dessa forma, é comum a ingerência no cuidado, abandono de animais em vias públicas e a observância de expressivo número de acidentes de trânsito envolvendo carroceiros.
Portanto, cabe ao Estado, por meio dos Ministério dos Transportes, proibir a utilização da tração animal no Brasil. Para tanto, é necessário que haja um suporte para as famílias que fazem uso dessa prática. Um mecanismo eficiente, poderia ser a distribuição de carrinhos de transporte que possuem como força motriz a energia eólica, ambientalmente sustentável. Dessa forma, pode-se, a curto prazo, promover bem-estar animail e garantir a sobrevivência dos que o utilizam como forma de subsistência.