O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 03/08/2021
O documentário “Blackfish”, da Netflix, mostra a realidade da crueldade animal por trás do parque aquático “SeaWorld”, famoso por suas apresentações com baleias, em que são retratadas situações como fome e maus tratos aos animais. Todavia, essa violência para com os animais não é exclusiva de parques no exterior como também se faz presente no Brasil no uso uma parte dos veículos de tração do país. Por isso, faz-se necessária a discussão sobre a saúde dos animais usados em trabalhos, bem como a possível manutenção desse trabalho com os devidos cuidados aos animais.
Em primeira análise, existem muitos povos indígenas que usam veículos de tração animal como uma tradição passada a eles por seus ancestrais e, por isso, proibir o uso do trabalho animal seria uma ameaça à sua cultura. A exemplo disso temos a série “Game of Thrones” em que o povo dothraki utiliza apenas cavalos como meio de transporte, existindo ainda uma mitologia ao redor dos cavalos, para esse povo, que torna indispensável o uso desses animais. Dessa forma, não é possível erradicar o uso de veículos de tração no país sem tirar uma parte importante da essência de muitos povos indígenas.
Em segunda análise, as grandes metrópoles são perigosas de mais para se manter esse emprego de animais devido ao elevado trânsito de automóveis em alta velocidade, o que aumenta as chances de um acidente ocorrer. O artigo 225 da Constituição Federal de 1988 incube ao poder público vedar as práticas que submetam os animais à crueldade, sendo considerado crueldade todo ato que resulte em sofrimento. Assim, submeter um animal a um trabalho em que exista alto risco de acidentes é também uma forma de crueldade e, por isso, o trabalho animal deve ser vetado nesses casos.
Diante do exposto, fica claro que o Governo deve garantir a segurança dos animais usados como meio de transporte , assim como a assistêcia necessária aos trabalhadores que não puderem mais usá-los, por meio de uma fiscalização veterinária rigorosa para avaliar se será permitido ou não o uso desse tipo de veículo, e auxílio financeiro para a troca por charretes motorizadas em cidades de intenso tráfego de automóveis. Isso para acabar com a violência animal provinda de trabalhos pesados ou de alto risco e assim se manter a cultura, quando possível, dos trabalhadores enquanto se ajuda as pessoas que não puderem mais usar animais como parte da renda.