O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 15/07/2021
Platão, em “O Mito da Caverna, afirma, alegoricamente, que a sabedoria é fruto de processos que demandam tempo, esforço e superação. Contudo, o cenário brasileiro não aplica a teoria platônica quanto à questão da utilização de quadrúpedes de grande porte como condutor de veículos, uma vez que o descaso da sociedade, no que tange às etapas para a atenuação do impasse, mostra-se frequente. Por isso, cabe a análise acerca da má influência midiática e da legislação deficitária.
Convém ressaltar, de início, a intrínseca relação entre a articulação publicitária e o uso dos bichos para mover carroças no Brasil. Nessa perspectiva, segundo Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, a mídia rompe com a lógica do sociólogo, no que corresponde ao ato de utilizar cavalos e burros como puxadores de carruagem, posto que ela não cumpre seu papel e se mostra, muitas vezes, indiferente diante do desequilíbrio existente. Isso se confirma com as poucas divulgações acerca da falta de necessidade dos pets fazerem as mesmas funções de um transportador de peso, o que compromete a preparação adequada da população. Nesse sentido, as intervenções sobre o problema são prejudicadas e, em vista disso, faz-se imprescindível a reformulação dessa circustância.
Paralelo a esse fato, é válido pontuar que a insuficiência legislativa influi sobre a questão como um forte empecilho. Nesse viés, sabe-se que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é a lei básica que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. Assim, a existência dessa legislação é de suma importância, no entanto, suas ações não se mostram satisfatórias para a melhora da diminuição do uso de seres de quatro patas como meio de transporte. Isso porque tais regimentos não estão atrelados às políticas públicas eficientes que atuem na base do problema. Logo, torna-se árduo reverter a situação.
Portanto, providências são necessárias para migitar o impasse. Para tanto, é dever do Senado Federal, em parceria com as mídias de grande acesso, divulgar amplamente as plataformas on-line de consulta e denúncia pública, com intuito de tornar a população mais atuante e exigente quanto ao cumprimento do direito constitucional de suporte de proteção aos animais que são usados como veículos de tração no Brasil. Isso pode ocorrer por meio de palestras, ministradas em escolas e em universidades, a serem webconferenciadas nas redes sociais dessas instituições. Tal iniciativa deve incluir a presença de voluntários ativistas sociais e de pecuaristas, que discutam a questão e comparem o respaldo que a mídia oferece aos seus relatos. Dessa forma, com o sancionamento das medidas apresentadas, a alegoria platônica poderá ser praticada.