O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 23/07/2021
Figura histórica da Igreja Católica, São Francisco de Assis tornou-se um símbolo da proteção dos animais na Idade Média, onde abusos a esses seres vivos eram comuns. Ao sair do contexto medieval, percebe-se que a violência contra os animais ainda persiste na contemporaneidade, sendo a prática dos veículos de tração animal um exemplo marcante. A partir da análise dessa questão no Brasil, percebe-se que ela está associada ao pensamento antropocêntrico e apresenta graves consequências ao bem-estar dos animais submetidos.
Em primeiro plano, é necessária a compreensão de que o Antropocentrismo é uma corrente de pensamento consolidada na época do Renascimento Cultural na Itália, que defende a posição de centralidade dos seres humanos em relação a todo Universo. Nessa perspectiva, os animais, ao serem colocados em segundo plano, sob justificativa de uma possível superioridade humana, ficam mais suscetíveis a serem vítimas de maus tratos por essa espécie - uma vez que são vistos como inferiores. Fica claro, pois, que enquanto esses valores não forem contestados, a lógica dos animais submissos aos seres humanos continuará - e com isso a persistência do uso deles em veículos de tração.
Ademais, é pertinente ressaltar que o ato de utilizar animais para transporte de cargas pesadas acarreta em diversas consequências para a saúde desses seres vivos: cansaço pela força bruta, machucados no corpo, subnutrição e sede são alguns dos principais exemplos. Essa realidade constrasta com os valores do fundador do Greenpeace, Paul Atson, que defende que inteligência é a habilidade de viver em harmonia com os demais seres vivos. Desse modo, percebe-se que combater tais abusos é imprescindível para a construção de sociedade mais ética.
Portanto, conclui-se que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse. Urge que o Governo Federal, por intermédio do Legislativo, crie leis que proíbam o uso em todo território nacional, ao passo que garantam maquinários a todos os trabalhadores, para que a substituição seja definitiva e não cause prejuízos aos mesmos. Além disso, o Ministério da Educação deve atuar em escolas, lecionando palestras de conscientização acerca dos direitos animais, com o objetivo de ampliar o debate às novas gerações. Apenas com esses esforços será possível combater o uso de veículos de tração animal no Brasil e garantir, com isso, uma relação mais harmoniosa entre as espécies, como defendia São Francisco de Assis e Paul Atson.