O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 27/07/2021
O clássico pensador Karl Marx afirma, a partir da teoria da dependência, que os países periféricos, mais pobres, vivem à margem dos centrais, mais ricos. Isto é, ferramentas usadas no presente por aqueles são algo ultrapassado para esses. Sob essa lógica, observa-se o uso de veículos de tração animal no Brasil: a persistência desse fenômeno é um claro sinal de atraso econômico do país. Outrossim, observa-se que o poder público omite-se em ajudar pessoas carentes a abandonar essa prática.
Em primeira análise, deve-se entender o uso de animais para esse fim como o sintoma do baixo acesso em geral a tecnologias mais avançadas no Brasil. Em princípio, conforme historiadores como Jacques Le Goff, lembra-se de que o referido modo de locomoção foi uma novidade em meados do século XIII, em meio ao feudalismo. Ou seja, no século XXI, muitas pessoas dependem de algo usado mais de 800 anos antes. Esse chocante fato denuncia uma realidade desoladora: é como se o Brasil visse o calendário em 2021, mas, na realidade, vivesse no passado.
Ademais, há o fato de o poder público apresentar uma enorme lacuna em auxiliar as pessoas que usam veículos de tração animal a deixar de fazê-lo. Por exemplo, conforme notícia do jornal Estado de Minas, a cidade de Belo Horizonte proibiu essa prática, mas não se preocupou em conscientizar e, mais importante, prover auxílio às pessoas que se utilizavam dela. Grande parte desse público sabe que existem danos ao animal, mas precisam dele para se sustentar e não têm alternativas.
Portanto, uma medida mitigadora faz-se necessária para a problemática em tela. Por conseguinte, propõe-se que os Governos Estaduais e Municipais, por meio de auxílio pecuniário e conscientização, faça campanhas visando ao abandono do uso de veículos de tração animal. Dessa forma, as pessoas que lançam mão dessa prática poderão substitui-la por outra, sem prejuízos a seus sustentos, mas também sem o uso de uma ferramenta extremamente atrasada. Assim, como aponta Marx, o Brasil, um país periférico, estará menos distante dos países centrais.