O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 21/07/2021
Na República Velha, o país teve os primeiros indícios de preocupação com os animais quando o presidente Jânio Quadros proibiu as apostas em brigas de galo. Analogamente, hoje em dia esse cuidado ainda existe em certos estados ao proibir o uso dos animais para movimentar carroças que, apesar de ser uma alternativa econômica para alguns, pode existir o abuso de violência nesses seres.
De início, é válido discutir que usar veículos de tração animal pode ser o único meio de transporte possível para algumas pessoas. Nessa lógica, a política desenvolvimentista rodoviarista do presidente Juscelino Kubitschek que objetivava incluir o Brasil na lista de países que possuem carros, acabou por intensificar a desigualdade econômica entre os brasileiros, já que nem todos têm condições de financiar esses veículos automotivos. Por consequência, os pequenos agricultores, principalmente, preferiram manter a tradição e continuar com seus cavalos e bois, os quais os custos são apenas de comida e remédio, ao invés de seguros e impostos que algo motorizado exige. Isso vai ao encontro do que o geógrafo brasileiro Milton Santos disse sobre a “globalização perversa”, pois em uma época moderna, na qual diversas pessoas fazem parte dos avanços tecnológicos que a globalização trouxe, contrasta simultaneamente com a parcela que ficou marginalizada desses privilégios.
Entretanto, deve-se ressaltar também o lado negativo do uso desses veículos como os maus-tratos por parte de alguns nos animais. Nesse viés, seja pelo não cuidado adequado com esses seres, seja pelas longas horas de trabalho em detrimento do descanso, é fato que parte dos bichos utilizados para locomoção são maltratados pelos donos. Ou seja, embora não seja realidade da maioria dos agropecuários, ainda persistem pessoas que enxergam os animais como objetos, infelizmente. Para combater esse infortúnio, a organização mundial da UNESCO criou há 31 anos a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, a qual reconheceu que os animais possuem direitos e devem ser respeitados pelo homem, mas não atingiu total efetividade, visto que ainda é presente mortes desses seres no país, inclusive por causa da despreocupação dos donos em rodovias, que acarretam em atropelamentos tão frequentes.
Frente a tal problemática, faz-se urgente, portanto, que o Estatuto dos Animais, como vertente do Estado capaz de proteger esses bichos, deve garantir o bem-estar dos animais utilizados em carroças, por meio da legalização de inspeções em todas fazendas para verificar se eles estão sendo bem cuidados, além do aconselhamento sobre medidas de segurança e a necessidade de cuidados médicos constantes, a fim de garantir que o uso desses seres vivos seja benéfico para ambos os lados.