O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 21/07/2021
No período da Roma Antiga, os bichos eram considerados inferiores e explorados para o entretenimento populacional. De modo paralelo, a ideia de superioridade do homem ainda é um fator utilizado como justificativa para o abuso de outros seres vivos, sobretudo, na utilização da tração animal no Brasil. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido à comodidade populacional e ao descaso estatal.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o uso de veículos puxados por bichos tornou-se um hábito naturalizado pelos cidadãos, os quais não questionam o caráter ético em razão da conveniência. A esse respeito, segundo a filósofa Hannah Arendt, a indiferença humana é fruto de atos irrefletidos relacionados à banalização do mal. Sob esse viés, a trivialização da tração animal inviabiliza a verificação da moralidade inserida nesse ato, uma vez que essa atividade transformou-se em uma conduta corriqueira e imponderada, na qual a fauna é desrespeitada e sofre maus-tratos. Sendo assim, fica evidente a necessidade de ampliar as noções da sociedade, a fim de extinguir as formas degradantes de deslocamento em questão.
Ademais, a inadvertência governamental também propicia adversidades para atenuar a prática da tração animal. Nesse contexto, conforme o pensador inglês Thomas Hobbes, o dever do Estado é assegurar o bem-estar coletivo. Contudo, essa responsabilidade encontra-se negligenciada em relação à proteção da fauna e ao auxílio direcionado aos trabalhadores rurais, visto que as inspeções, relativas à preservação da biodiversidade brasileira, estão escassas e, mesmo que esse modo de transporte seja suprimido, pequenos produtores e empregados campestres serão prejudicados em virtude da ausência de subsídios públicos para a compra de automóveis motorizados. Dessarte, constata-se a premência de elevar a atuação das autoridades vigentes.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Diante disso, com a finalidade de eliminar a comodidade no transporte associado à tração de bichos, urge que o Ministério da Educação, por meio de campanhas publicitárias e eventos escolares, dissemine conhecimentos relacionados aos efeitos prejudiciais da locomoção animal, tais como os ferimentos e tratamentos insalubres. Além disso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve, por intermédio de verbas governamentais, realizar contratações de funcionários responsáveis por fiscalizações mais eficazes e disponibilizar apoio financeiro aos trabalhadores rurais que adotarem apenas o uso de modais motorizados, com o propósito impossibilitar a exploração da fauna. Desse modo, será possível superar, no Brasil, o ideal de superioridade errôneo construído na civilização romana.