O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 26/07/2021

No filme “Cavalo de Guerra”, retrata-se a história de um cavalo que, ao ser vendido para a cavalaria inglesa durante a Primeira Guerra Munidal, tem que passar por muitas dificuldades para sobreviver. Ao sair do contexto televisionado e adentrar no Brasil dos tempos atuais, percebe-se que, assim como na trama, milhares de animais, hodiernamente, são extremamentes maltratados por serem vistos apenas como uma simples mercadoria e não como seres vivos, o que, muitas vezes, justifica atos de atrocidade contra esses e legimiza práticas de cárcere. Nesse prisma, faz-se pertinente analisar a origem do uso de veículos de tração animal no Brasil, bem como seu principal impacto na sociedade.

Com efeito, é fundamental considerar que o usufruto desses meios se dá, sobretudo, pelo próprio caráter imediato e prático que essa prática já objetifica. Isso porque, ao tomar como base as palavras do filósofo Zygmnunt Bauman, para quem a realidade está inserida em uma espécie de modernidade líquida, marcada por relações mais impessoais e atos mais imediatos, é notório, a partir dessa mentalidade, o grande incentivo dessa ação de tração animal, tendo em vista que sua natureza, por promover a banalização e maus tratos ao ser em prol de uma atividade mais instantânea, é progressivamente incentivada. Dessa forma, esse ato, por permear em uma sociedade individualista, em que a empatia perante ao próximo deixou de ser um princípio, foi exercido incorretamente.

Ademais, convém pontuar que o principal impacto relacionado ao uso desses veículos está ligado, primordialmente, à violência tanto física como simbólica que esse fator impermeabiliza. Tal situação pode sere verificada pelo fato de que a população, por insistir em exercer essa prática de forma incorreta, sem levar em consideração as particularidades do animal e suas necessidades, prejudica não só o bicho, por intermédio de maus tratos físicos e de uma alimentação precária, mas também colabora para a manifestação de diversas doenças na sociedade que tem como meio de proliferação o próprio animal mal cuidado. Sendo assim, a banalização e normatização desse ato, enraizada numa visão escravocrata que legitimou o uso do “chicote” como uma forma de hierarquização e domínio sobre os demais, tira tanto direitos básicos do ser como gera prejuízos para a própria comunidade.

Portanto, compreende-se que a utilização de veículos de tração animal pode causar entraves. Por isso, é essencial que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério do Meio Ambiente, promova a erradicação incorreta desse ato e a divulgação acerca dos cuidados necessários para que seu usufruto seja realizado de forma adequada. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto de Combate à Tração Animal, o qual irá estimular sua maior fiscalização e estabelecer multas, caso as normas não forem cumpridas, para que esses guerreiros e alidos do indivíduo possam ser dignificados.