O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 21/07/2021

No livro “1984”, defende a ideia de que a falta de informação tende a comprometer o entendimento pleno da realidade. É possível associar essa concepção literária com o uso de veículos de tração animal no Brasil, já que parte dos governantes e da população expõe uma visão limitada sobre este entrave. Nesse sentido, é preciso analisar essa questão no país.

Primeiramente, nota-se que ao permitir a tração animal o Poder Público se mostra negligente. Isso porque há uma falha no processo de investimento financeiro uma vez que faltam verbas para fiscalizar, por exemplo, as carroças conduzidas por homens, puxada por cavalos submetidos a maus-tratos, o que prejudica a saúde desses animais. Posto isso, percebe-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos. Dessa forma, nota-se a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes.

Ainda, pontua-se que, a ausência de engajamento coletivo, para se alcançar, realmente, uma sociedade sem essa tração animal. Como prova, verifica-se a inércia em parte da população em não lutar pela aplicação das leis vigentes, posto que, falta efetivar o ordenamento jurídico que prevê limite de carga ao ser transportada e carga horária. Comprometendo, assim, o direito à vida desses animais. Para explicar esse cenário, observa-se em virtude do pessimismo que se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a aceitar quadros negativos, conforme apontam as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman.

Cabe, por fim, admitir que, o uso de tração animal deve ser superado. Logo é necessário que o Estado assegure recursos financeiros, priorizando verbas, a partir do ministério competente, para promover fiscalização, com o objetivo de inibir os maus-tratos animais. Além disso, é fundamental sensibilizar a população via campanhas midiáticas promovidas por ONG’s, sobre a importância de se obter uma postura resignada a violência animal, a fim de potencializar a mobilização coletiva em prol da vida animal. Dessa forma, a falta de informação ficaria restrita a obra de George Orwell.