O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 26/07/2021

Nas últimas décadas, o mudo vem passando por um intenso processo de modernização, o que inclui a adesão em massa ao uso de transporte motorizado. Entretanto, na hodierna realidade brasileira, é comum ainda a presença de veículos de tração animal nas ruas, nos quais sus força motriz é submetida à péssimas condições de trabalho. A partir dessa perspectiva, é necessário avaliar o contexto educacional e socioeconômico que envolve a temática abordada.

Em primeira análise, faz-se mister debater a realidade educacional que beira o assunto. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a educação é a chave para a formação de uma sociedade desenvolvida. Mediante o citado, é notório afirmar o caráter transformador da educação. Contudo, no Brasil, país marcado por disparidades socioeducacionais, parcelas de sua população que conduzem veículos de tração animal muitas vezes não tem ensino completo, corroborando numa falta de conhecimento sobre a pauta animal. Dessa forma, os condutores desconhecem os corretos metódos de tratamento do ser, os forçando a trabalhar sob condições desgastantes.

Em segunda análise, é preciso analisar o contexto socioeconômico que envolve o tema. O Brasil é um país com alto PIB (Produto Interno Bruto) e possui uma forte economia, todavia, as riquezas são concentradas nas mãos de quem detém o controle de partes importantes dos meios de produção, assim, os que não possuem maior influência sobre os mesmos meios obtém a menor concentração da renda produzida, fenômeno acentuado na pandemia. Sob essa lógica, alinhando-se à temática central, muitas parcelas da população brasileira que não possuem poder aquisitivo suficiente para adquirir um veículo particular ou devido ao preço das passagens do sistema de transporte coletivo, leva essas mesmas parcelas a optarem por meios ‘‘mais práticos’’, seriam esses os véculos de tração animal.

Diante de tudo visto, é inegável afirmar que soluções são necessárias para os problemas apresentados. É imperativo que o Ministério da Educação, em parceria com organizações não governamentais de defesa aos animais, promovam palestras gratuitas para as populações carentes, de acordo com os limites impostos pela pandemia, para, assim, conscientizá-las do correto tratamento e uso de animais para transporte. Ademais, o Ministério da Economia deve promover, por meio de investimentos em todos os âmbitos de localidade, políticas de barateamento do preços das passagens de ônibus e metrôs, para controlar o uso de transporte animal e atenuar o efeito das desigualdades.