O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 27/07/2021

No século XIX, a ciência adquiriu uma conotação ‘‘hiper-racional’’, a qual incluia a crença de dominação da natureza pelo ser humano. Na contemporaneidade, tal pensamento explorador se mantem na consciência de muitos indivíduos, o que leva a violência contra animais em contextos, como o da locomoção em veículos tracionados por bichos. Assim, é plausível mencionar a motivação para a proibição das carroças em locais, a exemplo de Belo Horizonte, e as consequências sociais desses atos proibitivos.

Primeiramente, é fundamental discutir a causa dos atos de proibição legal do uso de veículos com tração animal. Para expandir esse viés, é necessário conhecer o artigo 3 da Constituição, o qual proíbe qualquer tipo de violência contra animais. Nessa realidade, é possível conectar tal legislação com a proibição das carroças, já que o serviço dos bichos é, muitas vezes, cercado por maus-tratos de donos sem consciência das necessidade animais ou sem condições financeiras para o cuidado apropriado. Em suma, é notória a causa para o impedimento da utilização de veículos com tração animal, em várias cidades brasileiras, como Belo Horizonte, motivado pela violência sofrida pelos seres explorados.

Ademais, é importante debater as necessidades sociais relacionadas a locomoção por carroças. Nessa conjuntura, é essencial conhecer a teoria do sociólogo Foucalt, a qual assegura a necessidade do desenvolvimento igualitário das esferas biológica, psicológica e social dos indivíduos. Nesse contexto, é plausível compreender que a ajuda animal se conecta intimamente com diversos âmbitos da vida humana e sua falta é capaz de criar uma sobrecarga no cidadão que depende da tração e da companhia animal para sobreviver. Isso ocorre porque, em uma esfera social, muitos indivíduos têm seu sustento vinculado ao bicho, além de, em uma área psíquica, o apoio fornecido pelo companheiro de trabalho ser vital. Sendo assim, são compreensíveis as consequências para o desenvolvimento popular promovidas pela completa proibição do uso de veículos de tração animal.

Portanto, haja vista o contexto brasileiro da utilização de tração animal para locomoção, é imprescindível que o Ministério da Educação se una ao Ministério da agricultura, um responsável pela formação popular e o outro pelo cuidado ambiental, para originar um curso educativo para carroceiros de meio rural e urbano. Tal medida deve ser executada por meio de aulas com veterinários e agentes sociais para ensinar como cuidar dos animais de uma forma eficiente e que seja possível financeiramente para os trabalhadores de baixa renda. Isso tudo a fim de proporcionar aos animais um ambiente saudável, bem como manter os que precisam da ajuda dos bichos seguros contra a sobrecarga trazida pela proibição completa das carroças.