O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 23/07/2021

No Feudalismo, prática econômica e social que perdurou na Europa no início da Idade Média, as terras do senhor feudal eram preparadas para o plantio através de práticas que envolviam o uso da força animal, juntamente com equipamentos pesados ​​como o arado. Nessa situação, os bichos eram submetidos a intensos pesos e péssimas condições de vida. Fora do sistema feudal, o uso de animais ganhou novas perspectivas, de modo a servir até mesmo como meio de transporte para parcela da sociedade. Assim, é fundamental analisar como esse costume pode prejudicar os seres usados ​​para tração, bem como a influência da pobreza gritante na intensificação desse óbice.

Em primeira análise, é válido destacar que o uso de veículos de tração animal no Brasil, por mais que seja frequente e comum, principalmente em áreas do interior e zonas rurais dos estados, traz complicações e sofrimento aos seres animalescos. O fato se dá, uma vez que, na maioria dos casos, eles trabalham sob pressão, gritos, chibatadas e exposição ao forte sol. Além disso, os apetrechos que os prendem à carroça, que são usados ​​em 62% dos casos, causam-lhes ferimentos e desconforto, como afirmou o renomado site de informação “JusBrasil”. Dessa forma, enquanto o problema não for perpassado, esses continuarão sofrendo, haja vista que o desenvolvimento de bichos desnutridos, cansados ​​e humilhados será frequente na sociedade brasileira e se intensificará dia após dia.

Ademais, essa problemática, por mais que seja infeliz e preocupante, pode ser “justificada” em alguns casos. Isso ocorre, porque, em algumas áreas, especialmente do Norte e Nordeste, as famílias não possuem o poder aquisitivo necessário para suceder a compra de meios locomotivos para realizar suas necessidades, o que faz elas optarem por meios de transporte não convencionais. Nesse sentido, reverbera o pensamento de Ariano Suassuna, grande pensador brasileiro, ao afirmar que é árdua a luta para vencer a problemática que dilacera o Brasil em dois polos distintos: o despossuído e o privilegiado. Com isso, fica evidente que, enquanto parte social tem sucesso locomotivo, outra fração, a mais pobre, sofre para efetivar algo que, para muitos, é tão simples: a locomoção.

É de suma importância, portanto, a exclusão desses tipos de veículos na sociedade brasileira. Para isso, cabe ao Estado, como instância máxima da nação, a criação de um Plano de Integração Locomotiva (PIL), a fim de democratizar os meios de transportes coletivos e instrumentos de trabalho para todos os cidadãos, inclusive nas vias de difícil acesso. A ação deve ser feita através da disposição de caminhonetes e equipamentos de preparo à terra, que devem ser usados como condução e meio para conseguir suprimentos, com o objetivo de minimizar o sofrimento de animais, além de proporcionar segurança aos cidadãos. Feito isso, os moldes feudais não voltarão à contemporaneidade.