O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 23/07/2021

Consoante declarara o físico Isaac Newton, “toda ação gera uma reação”. Essa lei pode ser relacionada à questão do uso de veículos de tração animal no Brasil. Afinal, essa corriqueira ação culmina em relevantes impactos culturais e econômicos no país.

Ao se analisar sobre a utilização da tração animal no Brasil, percebe-se que esse ato possui um importante papel para a sociedade brasileira, visto que tal prática tornou-se um fulcral costume cultural, principalmente no sertão nordestino devido a forte influência do cangaço na região. Essa assertiva pode ser associada a imagem do sertanejo ilustrada na obra “a vida no sertão” de J. Borges, que retrata a carroça puxada pelo cavalo como um principio de sobrevivência e de identidade do homem nordestino. Outro motivo dessa relevância se deve ao baixo custo de aquisição desses animais frente à crise econômica enfrentada pelo país. Comprova-se essa reflexão através da avaliação socioecônomica feita por Euclides da Cunha em seu livro “O Sertão”, ao revelar a situação paupérrima a qual se encontrava a população de Canudos, que possuía apenas recursos financeiros suficientes que possibilitasse o transporte através da tração alimária.

Outrossim, nota-se que o uso de veículos por tensão animal no país também culmina em impactos positivos na economia, uma vez que contribui para a circulação do fluxo de mercadorias. Esse aspecto pode ser relacionado a obra “sertão II” de Telma Weber que representa o translado dos bens de consumo para as grandes cidades por meio de carroças puxadas por cavalos. Além disso, vê-se que outro fator desses impactos é a sua participação no turismo, posto que o uso da tensão alimária tornou-se um atrativo nos pontos turísticos, tal como é observado nas praias do nordeste. Essa conjuntura pode ser vinculada à perspectiva de David Hume sobre a curiosidade, na qual ele defende que esse interesse conduz às ações do homem, ratificando, assim, a crescente busca pelas localidades que oferecem diferentes passeios com os animais.

Portanto, é cognoscível que uso de veículos de tração animal no Brasil implica em diversos impactos econômicos e culturais. Dessa forma, cabe ao Estado, promotor de investimentos sociais, mitigar a crise econômica vivenciada pelo país através da ampliação de impostos cobrados à parcela mais rica da população e reduzir as taxas da parcela de baixa renda a fim de possibilitar uma maior oportunidade dos mais pobres conquistarem novas formas de transporte. Ademais, cabe também a escola, formadora de conceitos, estimular ainda mais a curiosidade dos discentes por meio de trabalhos em grupos nas salas de aula e por meio de gincanas com o auxílio de professores para que esse interesse possa alavancar mais o turismo. Tais ações serão promoverão mais impactos positivos nesse cenário.