O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 23/07/2021
Na época do Egito Antigo os humanos endeusavam os animais e pediam para eles forças para trabalhar. No entando, quando se observa a realidade brasileira, a forma de trabalho utilizando veículos de tração animal, incluindo crueldade aos mesmos é bem comum. Nesse contexto, se faz de grande importância comentar a respeito da negligência em que os animais são submetidos e os inúmeros acidentes de trânsito agravados pelo uso dos cavalos carroceiros.
Em um primeiro momento, nota-se que geralmente os carroceiros não tem condições suficientes para bancar os altos custos necessários para manter um cavalo forte e apto para trabalhar, o que os levam a estarem quase sempre descuidados. Em um estudo realizado em 2016 com equinos carroceiros, 100% dos animais recebiam alimentação inadequada, estavam anemicos, com hemoparasitoses e fibrinogênio, ainda assim trabalhavam 40 horas por semana mesmo doentes. Outra problemática é a frequência de cascos não saudáveis, sendo uma área que pode afetar todo desempenho e saúde do animal, com o aparecimento de lesões. Além da existência de projetos de apoio das entidades públicas com médicos veterinários e ainda ter famílias que sequer participam desses eventos para uma avaliação, pela posição econômica ou por simplesmente não se importarem.
Ademais, em 2018, o índice brasileiro de incidentes no tráfego atingiu a triste marca de 23,4 mortes por 100 mil habitantes, considerada muito alta. Essa taxa com a presença de charretes e animais transformam-se em um risco ainda maior, onde eles liberam dejetos nas vias públicas, andam mais devagar, atrapalhando o fluxo, também podem se assustar e sair correndo descontroladamente. Esse perigo é notado ao se verificar jornais, como o caso de uma carroça que foi atingida por um carro que deixou o carroceiro morto e o animal com patas quebradas na rodovia Fernando Guilhon. Ainda se faz válido ressaltar o sofrimento dos cavalos com os gases tóxicos, ruídos dos veículos e os menores de idade conduzindo essas carroças, caracterizando o trabalho infantil.
Diante do exposto, fica claro que medidas precisam ser tomadas para que o uso de veículos de tração animal no Brasil acabe em prol de uma vivência mais segura para todos. Sendo assim, é essencial que os líderes das comunidades, como vereadores e prefeitos, das regiões em que ainda toleram esse estilo de trabalho, elaborem e aprovem leis rígidas que impeçam a continuidade dessa exploração com os cavalos. Somando a isso é imprescindível que haja um amparo às famílias que precisam dessa renda para seu sustento, com a criação de cursos gratuitos para capacitação, com intuito de ensinar um novo ofício. Desse modo, poderemos perceber uma diminuição da violência aos animais e dos acidentes nos trânsitos.