O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 24/07/2021

A tela “As Meninas”, sob autoria do artista barroco Velazquéz, adquire o tom familiar devido à valorização dos cachorros da família real espanhola na obra. Hoje, apesar do distanciamento temporal e artístico, o contexto de relevância canina presente no quadro barroco é contrariado pelo uso de veículos de tração animal no Brasil. Sob tal ótica, é válido ir às principais origens dessa sórdida prerrogativa no século XXI.

Em primeira instância, é crucial ressaltar, como propulsor do uso de mecanismos baseados no esforço animal, a permanência de ideologias coloniais retrógradas. No século XVI, período de ascensão da produção açucareira no nordeste brasileiro, os engenhos trapiches utilizavam a força dos animais como motriz para a tranformação da cana-de-açúcar. Com base nesse viés, a manutenção de ideologias indevidas, ampliadas para setores além do produtivo, acerca da lucratividade e eficiência do trabalho de seres não humanos cerceia a busca por veículos de condução alternativos e, por conseguinte, o declínio dessa raíz sórdida. Sendo assim, as estruturas produtivas coloniais reverberam na atualidade ao ponto de, ainda, viabilizarem esses veículos de tração.

Ademais, a deturpação de ideais acerca da dignidade animal fomenta a execução de atos exploratórios, no que tange à utilização indiscriminada desses seres para finalidades pessoais. Isso se dá, porque, as teorias de obrigação moral humana para com os animais, estebelecidas pelo filósofo Jeremy Bentham, correspondem a exceções na contemporaneidade. A partir desse cenário, a atribuição do papel de “máquinas”, voltadas para suprir demandas humanas, em detrimento do respeitos às especies potencializa a aplicação de mecasnimos de tração animal. De tal modo, o pragmatismo aplicado aos animais, vinculado à decadência de ideologias, postuladas por Bentham, acerca da dignidade desses seres, propulsiona a ascensão de métodos de transporte conforme a força animal.

Em suma, é crucial resolver essa questão atrelada à influencia colonial, bem como à decadência de diretos de espécies não humanas, a fim de viabilizar o tratamento animal digno. Assim, urge que o Ministério do Meio Ambiente, órgão crucial para a valorização da fauna brasileira, incentive metodologias plurais de trabalho humano, transpassado a aplicação dos esforços animais. Isso será possível por meio da disseminação de iniciativas nacionais de combate à tração. Afinal, o contexto de valorização animal exposto na obra barroca de Velasquéz deve pautar a realidade brasileria contemporânea.