O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 27/07/2021
Desde a pré-história, o homem passou a utilizar a força animal em trabalhos pesados, os quais foram essenciais para o desenvolvimento humano e para a produção agrícola. Contudo, devido às revoluções industriais, essas atividades passaram a ser substituídas por novos maquinários que dinamizaram a produtividade. Atualmente, mesmo com essas inovações, o uso de veículos de tração animal ainda é comum no Brasil. Dessa maneira, é importante analisar com a falta de consciência perante os maus-tratos e a pouca efetividade contra essas ações permitem suas continuidades.
A priori, é necessário destacar que o uso de veículos de tração animal no Brasil é realizado, muitas vezes, de forma desrespeitosa e indevida. Tal concepção baseia-se na teoria do economista Hugo Penteado, o qual afirma que os indivíduos, movidos pelo desejo constante pelo lucro, ignoram a finitude e os limites do bem-estar dos seres vivos. A partir disso, percebe-se como essa ideia reflete a atual conjuntura nacional, em que diversos sujeitos, ao buscarem a maior produtividade e diminuir os gastos, expõem essses animais a situções de crueldade, como trabalhos excessivos e em péssimas condições, aparelhos rústicos que causam ferimentos, além de não garantirem os mínimos requisitos de sobrevivência, como saúde e alimentação. Desse modo, nota-se que, infelizmente, a falta de respeito com esses seres permite que a brutalidade contra eles perpetuem.
Ademais, é válido ressaltar que a falta de ações mais rígidas contra o uso inadequado de veículos de tração animal permite que a crueldade contra eles permaneça no país. Tal perspectiva está relacionada à teoria da “Banalização do mal” , da filósofa alemã Hannah Arendt, a qual afirma que males tornaram-se tão comuns na sociedade que os indivíduos passam a praticá-los sem perceberem os prejuízos de suas ações. À vista disso, observa-se que, além da falta de consciência dos sujeitos, a omissão das instituições governamentais e a carência de legislações mais efetivas transformaram os maus-tratos contra esses animais em males naturalizados pela população. Dessa forma, mesmo com o contato cotidiano com esses seres expostos a situações exaustivas e perversas, a normalização dessas atitudes dificulta uma mobilização social.
Logo, para que o uso indevido de veículos de tração animal seja combatida, o Estado deve garantir o bem-estar desses seres, por meio de leis mais rígidas contra os maus-tratos e maiores investimentos na formação de profissionais para a fiscalização de grupos que utilizam essa atividade, a fim de permitir o uso consciente e punir as ações cruéis. Ademais, esse órgão deve incentivar a mobilização social mediante a criação de uma plataforma online que facilite a realização de denúncias contra essas atitudes negligentes, para que, assim, esses animais sejam protegidos e tratados com respeito.