O uso de veículos de tração animal no Brasil
Enviada em 27/07/2021
O livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, conseguiu retratar um interessante lado humano de um animal ao expor a vivência e todo sofrimento de Baleia, cadela da família protagonista do livro. A forma como essa persona foi apresentada no livro explorou o impacto que esse e demais animais poderiam sentir das ações humanas e, ao mesmo tempo, provocar no ser pensante. Infelizmente, no Brasil, tais reflexões se encontram ausentes na prática humana que submete estes seres instintivos a condição de tranporte, não mais viável na atualidade. A questão do uso de veículos de tração animal pode ser dissecada a partir de sua origem e dos motivos que levam a persistência desnecessária dessa prática.
Em primeira análise, expõe-se como a utilização de animais como meio de transporte tem origens, desde a antiguidade, na necessidade de levar o ser humano a longas distâncias por uma maneira mais simples e acessível. A submissão de animais para a tração de veículos foi uma das revoluções que o homem realizou relacionadas ao transporte. Entretanto, desenvolveu-se cada vez mais esses meios, e essa exploração continuou a ser realizada, atentando-se ao fato de que, assim como cruelmente fora estabelecido seres humanos ao trabalho escravo, a utilização de animais para locomoção foi, e ainda é, uma meio viável e sem consideráveis gastos e burocracias. A raiz simples desse artifício influenciou fortemente para que, mesmo com altas tecnologias e transportes extremamente avançados, continuasse a ser explorado.
Decorrente disso, a persistência para que o trabalho locomotivo seja, ainda, em muitos casos, designado ao animal é fruto da manutenção, também, de um público desfavorecido da sociedade. Esse público pode ser caracterizado como a extrato mais pobre que, devido as baixas condições, não possui o poder de obter as novas tecnologias. Isso pode ser observado na diferenciação do papel dos animais para dois diferentes grupos da sociedade: enquanto o primeiro, parte mais rica, utiliza cavalos, por exemplo, para esportes elitizados como a equitação, o segundo grupo social, mais pobre, vê, nos cavalos, e outros animais semelhantes, um instrumento para garantir uma fonte de sustento, como afirma o presidente da associação dos carroceiros, Sebastião Álves de Lima.
Conclui-se, então, que haja um processo de redução da quantidade de veículos tracionados por animais. Para isso, o governo federal deve restringir o uso desses seres para esse fim. Isso por meio do incentivo, para grupos sociais que dependem do animal como meio de locomoção e sustento, da troca desses transportes por outros meios alternativos - incentivos como o beneficiamento de consideráveis descontos na compra de um novo veículo. Assim, esses animais deixarão de ser submetidos a um impacto tão cruel que os homens desnecessariamente continuaram a exercer sobre eles.